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Pesquisa nacional aponta maioria favorável à prisão de ex-dirigentes da Vale por Brumadinho

  • Foto do escritor: Talles Costa
    Talles Costa
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Sete anos após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, a percepção de impunidade e insegurança segue fortemente presente entre os brasileiros. Pesquisa nacional inédita do instituto PoderData revela que mais da metade da população defende a prisão preventiva de ex-dirigentes da mineradora Vale e de responsáveis técnicos envolvidos no desastre, enquanto a maioria avalia que a Justiça falhou ou age com lentidão diante de um dos maiores crimes socioambientais da história do país, cujos efeitos ainda fazem parte do cotidiano dos brumadinhenses.

De acordo com o levantamento, realizado entre os dias 27 e 30 de dezembro de 2025, 52% dos entrevistados são favoráveis à prisão dos ex-executivos e responsáveis técnicos antes do julgamento definitivo. O dado se soma a outro indicador expressivo: oito em cada dez brasileiros consideram que não houve punição adequada pelas 272 mortes provocadas pelo rompimento da barragem, reforçando a sensação de que os responsáveis permanecem distantes das consequências jurídicas do desastre.

A insegurança em relação à atividade mineral também aparece de forma contundente nos resultados. Para 68% dos entrevistados, uma tragédia semelhante à de Brumadinho pode voltar a acontecer no Brasil, o que demonstra desconfiança generalizada na capacidade do país de fiscalizar barragens e prevenir novos colapsos. Quase metade da população afirma, ainda, que a mineração hoje é menos segura do que era antes de 2019.

Em Minas Gerais, estado diretamente impactado pelo rompimento, os índices são ainda mais elevados. A pesquisa aponta que 83% dos mineiros desconfiam da segurança da atividade mineral, percentual significativamente superior à média nacional. Entre os moradores do estado, o temor de novos rompimentos e a descrença na efetividade das medidas de controle refletem uma realidade vivida de forma mais próxima, especialmente em municípios como Brumadinho, onde as marcas ambientais, sociais e emocionais permanecem visíveis.

A atuação da mineradora responsável também foi avaliada de forma crítica pela população. Para 58% dos brasileiros, a empresa faz menos do que deveria ou simplesmente não cumpre seu papel na reparação das famílias e dos territórios atingidos. O resultado evidencia o distanciamento entre as ações adotadas pela companhia e a expectativa social por justiça, responsabilização e reconstrução efetiva das áreas afetadas.

O levantamento revela ainda apoio expressivo a sanções mais rigorosas contra profissionais envolvidos no desastre. Setenta e quatro por cento dos entrevistados defendem a cassação definitiva dos registros de engenheiros e geólogos que atuaram na barragem, impedindo que voltem a exercer funções no setor. Para a maioria, essa medida seria fundamental tanto para a responsabilização quanto para a prevenção de novos crimes.

Outro ponto que chama atenção diz respeito ao destino de multas ambientais. Sete em cada dez brasileiros afirmam que os valores arrecadados em penalidades aplicadas a empresas responsáveis por tragédias como a de Brumadinho deveriam ser direcionados prioritariamente às famílias das vítimas e às comunidades atingidas, e não incorporados genericamente aos cofres públicos.

A pesquisa também aponta descrédito em relação às estratégias de comunicação corporativa adotadas após os desastres de Brumadinho e Mariana. Sessenta por cento dos entrevistados avaliam que campanhas institucionais e ambientais promovidas pela mineradora têm como objetivo principal reconstruir a imagem da empresa, sem correspondência com mudanças estruturais profundas ou reparações consideradas suficientes. Esse entendimento cresce entre pessoas com maior nível de escolaridade.

Mesmo após sete anos, a tragédia segue viva na memória coletiva. Segundo o PoderData, 79% dos brasileiros afirmam lembrar do rompimento da barragem, número que aumentou em relação ao ano anterior. Para os moradores de Brumadinho, onde o impacto foi direto e devastador, os dados reforçam a sensação de que o tempo passou, mas a justiça ainda não chegou, mantendo aberto um debate que ultrapassa fronteiras locais e segue mobilizando o país.

A pesquisa ouviu 3.200 pessoas em 111 municípios das 27 unidades da Federação, com brasileiros a partir de 16 anos, por meio de entrevistas telefônicas automatizadas. A margem de erro é de 1,9 ponto percentual, com nível de confiança de 95%, e a amostra foi ponderada por critérios demográficos e regionais.






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