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Vale deposita R$ 133 milhões para auxílio de maio, mas pede à Justiça fim de novos repasses

  • Foto do escritor: Moisés Oliveira
    Moisés Oliveira
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura
Foto: Divulgacão
Foto: Divulgacão

A Vale apresentou à Justiça, no último dia 23 de abril, um novo depósito judicial de R$ 133,1 milhões para custear o auxílio emergencial dos atingidos pela ruptura da barragem na Bacia do Rio Paraopeba e no Lago de Três Marias, referente ao mês de maio de 2026. A mineradora, no entanto, pediu à Justiça que interrompa novos repasses e impeça a Fundação Getulio Vargas (FGV) de sacar valores acima de um teto de R$ 702 milhões, alegando já ter superado esse montante. Para os moradores de Brumadinho, cidade que ainda carrega as marcas do desastre de 2019, a manobra jurídica reacende o temor de descontinuidade do benefício, que tem sido um dos poucos suportes financeiros para famílias que dependem da reparação enquanto aguardam indenizações definitivas.

A petição protocolada pela Vale no dia 23 de abril de 2026 trouxe à tona mais um capítulo da disputa judicial em torno do auxílio emergencial destinado aos impactados pelo rompimento da barragem de Córrego do Feijão, ocorrido em janeiro de 2019. O comprovante do depósito de R$ 133.101.752,13 foi anexado ao processo da Ação Civil Pública que trata da continuidade do benefício, gerido pela FGV por determinação da Justiça. O valor, segundo a empresa, é referente ao pagamento do mês de maio de 2026 e segue o cronograma de repasses mensais que a mineradora afirma estar realizando de forma contínua desde o fim de 2025.

No documento enviado ao tribunal, a Vale detalhou que já desembolsou R$ 789.429.777,74 ao longo de todo o período em que o auxílio emergencial foi exigido judicialmente. Entre os valores listados estão R$ 234.118.431,52 depositados em novembro de 2025, que cobriram os meses de dezembro do mesmo ano e janeiro de 2026. Além disso, a empresa afirma ter feito depósitos mensais de R$ 133.101.752,13 referentes a fevereiro, março, abril e, agora, maio de 2026. Um depósito complementar de R$ 22.904.337,70 também foi realizado em dezembro de 2025, com o objetivo de ajustar os valores dos primeiros meses após a retomada da obrigação judicial.

A argumentação central da mineradora se ancora em um montante previamente informado pela própria FGV como necessário para garantir a continuidade do auxílio até o fim do programa: R$ 702.355.294,56. A Vale sustenta que, ao ultrapassar esse patamar com os depósitos já efetuados, teria integralmente cumprido o que foi estabelecido na decisão liminar. Por essa razão, a empresa pede à Justiça que não autorize a FGV a sacar valores superiores a esse limite e que determine a suspensão imediata de novos depósitos judiciais. A mineradora alega que manter a obrigação sem um teto definido pode gerar uma responsabilidade financeira prolongada e indefinida, o que classificou como desequilíbrio.

O pedido da Vale também resgata um elemento da própria decisão judicial original, que inicialmente determinava o pagamento de apenas um terço do valor indicado pela FGV — medida que, segundo a empresa, já teria sido adotada justamente para minimizar os impactos financeiros sem deixar de atender os atingidos. A petição recorda que, após a revogação de efeito suspensivo em instância superior, a obrigação de depósito acabou restabelecida na íntegra, levando à sequência de pagamentos mensais realizados até agora.

Para os moradores de Brumadinho, a notícia chega em meio a um cenário de desgaste e incerteza. A cidade, que sedia uma das áreas mais afetadas pelo desastre, tem no auxílio emergencial uma fonte recorrente de renda para famílias que perderam parentes, moradias e fontes de trabalho. Muitos brumadinhenses dependem exclusivamente desses repasses para arcar com despesas básicas enquanto os processos de indenização se arrastam na Justiça. A possibilidade de suspensão dos depósitos, mesmo que ainda não tenha sido decidida pelo tribunal, já provoca apreensão entre lideranças comunitárias e associações de atingidos.

Ainda assim, até o momento, não há qualquer decisão judicial suspendendo os depósitos ou alterando a forma de pagamento do auxílio. Com isso, o benefício segue mantido para os meses já programados, e a FGV continua operacionalizando os repasses às famílias cadastradas na Bacia do Rio Paraopeba e no entorno do Lago de Três Marias. O desfecho do pedido da Vale dependerá da análise da Justiça, que terá de se pronunciar sobre a existência ou não de um teto financeiro para a obrigação da mineradora — ponto central da discórdia entre a empresa e os representantes dos atingidos.

Enquanto isso, moradores de Brumadinho e das demais localidades impactadas permanecem em estado de alerta. Para eles, a continuidade do auxílio emergencial não é apenas uma questão jurídica, mas uma necessidade concreta de sobrevivência. A expectativa agora recai sobre os próximos movimentos do Judiciário, que deverá equilibrar o direito à reparação das vítimas com os limites da obrigação imposta à Vale. Até lá, o silêncio dos tribunais ecoa como mais um capítulo de espera em uma tragédia que ainda não terminou.


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