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Uso não mediado de IA prejudica memória e autonomia de adolescentes, aponta estudo

  • Foto do escritor: Talles Costa
    Talles Costa
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura
Foto: iStock/Robert Way
Foto: iStock/Robert Way

Os adolescentes de Brumadinho que utilizam ferramentas de inteligência artificial para fazer tarefas escolares ou obter respostas rápidas podem estar, sem saber, comprometendo habilidades fundamentais para o seu desenvolvimento. É o que alerta um estudo publicado no periódico "Journal of Media Critiques", conduzido com 582 alunos do ensino médio em Guaratinguetá (SP). A pesquisa revelou que o uso não mediado da IA — ou seja, sem orientação pedagógica —, embora eficiente para tarefas imediatas, representa um risco ao desenvolvimento de competências essenciais e à autonomia intelectual desses jovens. Para os brumadinhenses que lidam diariamente com a pressão escolar e a tentação de resolver exercícios com um clique, o estudo acende um sinal vermelho: a tecnologia pode estar atrapalhando mais do que ajudando.

Segundo a pesquisa, a maioria dos estudantes (70%) utiliza IA semanal ou diariamente, mas 67,9% nunca recebeu qualquer orientação pedagógica sobre o uso crítico e ético dessas ferramentas. As principais finalidades de uso são a obtenção de respostas diretas (39%) e a geração de textos (25,9%) — procedimentos que os autores do artigo classificaram como uma tendência à "terceirização cognitiva". As consequências são preocupantes: 58,1% dos usuários frequentes relataram maior dificuldade em resolver problemas de forma autônoma, e 62,4% sentiram uma diminuição na capacidade de memorização. Para os jovens de Brumadinho, que enfrentam um vestibular cada vez mais competitivo, perder a capacidade de raciocinar sozinho pode ser um preço alto demais.

O artigo conclui pela urgência da implementação de programas de letramento digital crítico nas escolas — "a fim de transformar a IA em uma ferramenta de potencialização, e não de substituição do esforço cognitivo". Essa preocupação também aparece nas análises de Eucídio Pimenta Arruda, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Graduado em História, mestre e doutor em Educação, ele defende que o aluno deve entender que uma cópia pura e simples não promove o seu desenvolvimento cognitivo, nem estimula sua inteligência ou a produção de conhecimento que o ajudará a se colocar no mundo.

Arruda reconhece que as ferramentas de IA implicam novos desafios, entre os quais a dificuldade de reconhecer o que é verdade ou mentira, autêntico ou manipulado. "A inteligência artificial gera documentos, imagens e vídeos que são tão aparentemente humanos que o maior desafio que temos hoje, como professores e estudantes, é exatamente detectar o que foi feito por uma máquina e o que não foi", admite. Para o professor, a solução não está no proibicionismo, mas na capacitação ética. É preciso demonstrar aos usuários das IAs que pessoas que não produzem conhecimento, que não têm leitura crítica e não conseguem entender minimamente uma frase por terem delegado essa tarefa a uma máquina correm um risco significativo de não serem integradas a uma sociedade cada vez mais complexa.

Em entrevista, Arruda respondeu a quatro perguntas centrais. Sobre os principais problemas da incorporação da IA sem letramento prévio, ele afirmou que a tecnologia avança tão rápido que não há diretrizes capazes de acompanhá-la. O letramento tecnológico atual, segundo ele, limita-se a habilidades para usar equipamentos, e falta a formação para questionar a origem das fontes. Sobre o que significa letramento em IA, ele defende que é preciso ir além do técnico e compreender relações de poder, interesses econômicos das empresas e os preconceitos que as IAs podem reproduzir. Também reforça a necessidade de mudar a estrutura de formação de professores no Brasil para que eles possam orientar os alunos em todas as áreas do conhecimento. Sobre como evitar tanto o proibicionismo quanto o uso acrítico, ele sugere que as escolas entendam por que os estudantes usam a IA — muitas vezes para tirar dúvidas — e os orientem a não fazer cópias rasas. Por fim, sobre as competências prioritárias, ele afirma que a ética vem em primeiro lugar: formar pessoas que se posicionem contra conteúdos preconceituosos ou manipulados, entendendo que máquina não substitui o trabalho humano, mas o aprimora.

Para os brumadinhenses, especialmente pais e professores, a mensagem é clara: a IA veio para ficar, mas precisa ser usada com supervisão e crítica. Escolas que ainda não discutiram o tema com os alunos estão atrasadas. E adolescentes que usam o ChatGPT para fazer a lição sem nem ler a resposta estão perdendo a chance de desenvolver o cérebro, a memória e a autonomia. O estudo mostra que a tecnologia não é vilã, mas o uso não mediado pode ser. Que Brumadinho aprenda com essa pesquisa e invista em letramento digital crítico nas salas de aula — antes que a próxima geração cresça sabendo apenas apertar botões, mas sem conseguir pensar sozinha.


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