Captação de água no Rio Paraopeba é retomada em Brumadinho; Copasa prevê 432 milhões de litros por dia
- Moisés Oliveira

- há 2 horas
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Os moradores de Brumadinho testemunharam nesta segunda-feira (27) um marco importante na longa jornada de reparação após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em janeiro de 2019. Mais de sete anos depois do desastre que devastou o Rio Paraopeba e matou 272 pessoas, a captação de água no rio foi finalmente retomada. Para os brumadinhenses que viram o rio ser tomado pela lama e ficaram anos sem poder confiar na qualidade da água, a notícia representa um passo significativo não apenas para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), mas também para a recuperação simbólica do principal curso d'água da região.
A operação, conduzida pela Copasa, prevê o bombeamento inicial de até 2 metros cúbicos por segundo de água para a Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio Manso. O planejamento é de que, em breve, até 5 metros cúbicos por segundo sejam captados. Na prática, a água armazenada no reservatório poderá ser preservada e distribuída para toda a RMBH, garantindo maior segurança hídrica em períodos de seca. O superintendente de Produção de Água Metropolitana da Copasa, Albino Campos, explicou que, quando a estrutura atingir a operação completa — o que deve acontecer no fim de 2026 —, deverão ser captados aproximadamente 432 milhões de litros de água por dia.
Albino Campos afirmou que esse patamar permitirá à Copasa atravessar cenários de escassez hídrica com muito mais resiliência, garantindo regularidade no abastecimento para a população. A declaração é especialmente relevante para os brumadinhenses, que nos últimos anos enfrentaram não apenas os impactos diretos do rompimento, mas também os efeitos colaterais na confiança da água captada no Paraopeba. A retomada da captação é um sinal de que o rio, aos poucos, volta a ser considerado seguro para o abastecimento público.
A nova captação está sendo executada pela mineradora Vale, como parte dos compromissos de reparação pactuados com o Ministério Público de Minas Gerais após o rompimento da barragem. Ou seja, a obra é uma obrigação da empresa dentro do acordo judicial de reparação. Para os moradores de Brumadinho, que há anos cobram medidas efetivas de recuperação ambiental, a retomada da captação é uma evidência de que as pressões da sociedade e do Ministério Público vêm surtindo efeito, ainda que o prazo para a conclusão total — fim de 2026 — ainda esteja a mais de meio ano de distância.
A retomada da captação no Rio Paraopeba não apaga a tragédia, mas demonstra que a recuperação é possível. Aos poucos, o rio que foi dado como morto volta a cumprir sua função estratégica para milhões de pessoas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Para os brumadinhenses, a notícia é também um lembrete de que a luta por reparação continua — e que cada passo, por menor que pareça, é uma vitória. A Copasa segue monitorando a qualidade da água e promete transparência nos dados. A Vale segue obrigada a cumprir sua parte, e o Ministério Público segue de olho. Que os próximos anos sejam de reconstrução efetiva, e não apenas de promessas.















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