top of page

Uso de tadalafila como pré-treino preocupa especialistas; entenda os riscos

  • Foto do escritor: Talles Costa
    Talles Costa
  • há 13 horas
  • 3 min de leitura
Foto - Divulgação
Foto - Divulgação

O uso da tadalafila como suposto "pré-treino" tem chamado a atenção de profissionais da saúde e despertado preocupação entre especialistas. Embora o medicamento seja indicado para o tratamento da disfunção erétil e de outras condições específicas, um número crescente de praticantes de musculação tem recorrido ao remédio na expectativa de melhorar o desempenho durante os exercícios. No entanto, médicos alertam que não há comprovação científica de que a substância aumente força, hipertrofia ou rendimento físico em pessoas saudáveis e que seu uso sem indicação médica pode trazer riscos importantes à saúde.

A prática tem ganhado força principalmente nas redes sociais, onde vídeos e publicações incentivam o consumo da tadalafila antes dos treinos. O medicamento passou a ser utilizado de forma diferente daquela aprovada pelos órgãos de saúde, situação conhecida como uso "off label", quando um remédio é empregado para uma finalidade não prevista em sua indicação oficial.

A justificativa apresentada por alguns usuários está relacionada ao efeito vasodilatador da tadalafila. Ao inibir a enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5), o medicamento promove o relaxamento dos vasos sanguíneos e aumenta o fluxo de sangue. Com isso, algumas pessoas relatam maior sensação de "pump", termo utilizado no meio da musculação para descrever o inchaço temporário dos músculos durante o treino.

Apesar dessa percepção, especialistas afirmam que esse efeito não representa aumento de massa muscular ou ganho de força. Segundo o endocrinologista Pedro Guilherme Cabral, do Hospital Brasília, pesquisas realizadas com atletas saudáveis não demonstraram melhora na aptidão física com o uso da tadalafila. De acordo com o médico, um dos estudos avaliados identificou, inclusive, aumento de marcadores relacionados a danos musculares.

Outro ponto que preocupa os profissionais da saúde são os possíveis efeitos adversos provocados pelo uso indiscriminado do medicamento. Por possuir ação vasodilatadora, a tadalafila pode provocar redução da pressão arterial, especialmente durante exercícios de alta intensidade ou realizados em ambientes com temperaturas elevadas. Nessas situações, o usuário pode apresentar tontura, hipotensão e até episódios de desmaio.

O cardiologista Fernando Costa, coordenador da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Santa Paula, relata que tem observado um aumento desse comportamento entre pacientes, principalmente jovens saudáveis que procuram avaliação médica de rotina.

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que o consumo da tadalafila aumentou significativamente no Brasil nos últimos anos. Em 2025, foram comercializadas 74,9 milhões de caixas do medicamento, crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior. Em 2015, esse número era de 3,2 milhões de unidades.

Além da queda de pressão, os médicos alertam para outros sinais que exigem atendimento imediato, como dor no peito, tontura intensa, sensação de desmaio, perda de consciência e o priapismo, caracterizado por ereção persistente por mais de quatro horas. Esse quadro pode provocar danos permanentes caso não seja tratado rapidamente.

O uso da tadalafila também apresenta contraindicações para pessoas com histórico recente de infarto, acidente vascular cerebral, angina instável e insuficiência cardíaca grave, reforçando a necessidade de avaliação médica antes da utilização do medicamento.

Especialistas destacam que, até o momento, não existem evidências científicas capazes de justificar o uso da tadalafila como estratégia para aumentar massa muscular ou melhorar o desempenho esportivo. Segundo os médicos, os resultados buscados por praticantes de atividade física continuam dependendo dos pilares já consolidados da medicina esportiva: treinamento adequado, alimentação equilibrada, descanso e acompanhamento profissional.

Para os moradores de Brumadinho que frequentam academias e praticam atividades físicas, o alerta reforça a importância de evitar o uso de medicamentos sem prescrição médica e de buscar orientação de profissionais de saúde antes de recorrer a substâncias divulgadas nas redes sociais como supostos estimulantes de desempenho.


Anuncie Apoio_edited.jpg

Receba nossas atualizações

Obrigado pelo envio!

© 2026 por Portal Independente Notícia. 

© Copyright
bottom of page