MPF conclui primeira etapa de depoimentos da ação penal sobre a tragédia-crime de Brumadinho
- Talles Costa

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O Ministério Público Federal (MPF) concluiu o primeiro semestre da fase de depoimentos da ação penal que apura as responsabilidades pelo rompimento da barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Após o encerramento dessa etapa, procuradores responsáveis pelo caso estiveram no município para cumprir uma série de agendas institucionais e técnicas, reforçando o compromisso com o andamento do processo criminal que busca responsabilizar os envolvidos pelas mortes e pelos danos ambientais causados pela tragédia de janeiro de 2019.
A visita ocorreu no fim de junho e reuniu os procuradores da República Bruno José Silva Nunes, Bruno Costa Magalhães e Samir Cabus Nachef Júnior, integrantes da equipe que atua na condução da ação penal. Durante a passagem por Brumadinho, os representantes do MPF participaram de atividades relacionadas à memória das vítimas e ao acompanhamento das consequências do rompimento da barragem.
Um dos compromissos foi a participação no ato mensal promovido pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem (Avabrum), realizado junto ao letreiro de Brumadinho. A mobilização acontece todo dia 25 e reúne familiares e moradores para homenagear as vítimas por meio da leitura de seus nomes e da soltura de balões.
Durante a agenda, os procuradores também ressaltaram o trabalho desenvolvido pelo Ministério Público Federal ao longo da fase de instrução do processo. Segundo Bruno Costa Magalhães, a análise da ação penal exige um exame detalhado das provas reunidas para identificar a responsabilidade individual de cada um dos envolvidos. Ele destacou ainda o empenho da equipe na condução dos trabalhos.
Já o procurador Bruno José Silva Nunes enfatizou a importância da presença dos familiares durante as audiências. Conforme afirmou, o acompanhamento da sociedade fortalece a transparência do processo e demonstra o interesse coletivo na busca por justiça. O representante do MPF também informou que a previsão é de que as audiências de instrução sejam realizadas até setembro de 2027.
As oitivas ocorrem semanalmente, às segundas e sextas-feiras, e podem ser acompanhadas pelo público mediante inscrição prévia. Parte das vagas disponíveis é destinada aos familiares das vítimas, que participam das audiências desde o início da fase de instrução. Segundo a presidente da Avabrum, Nayara Porto, essa presença será mantida até a conclusão do processo.
Durante a passagem pelo município, os procuradores também visitaram o Memorial Brumadinho, espaço criado para preservar a memória das vítimas e que abriga segmentos corpóreos identificados após a tragédia. A comitiva ainda esteve em áreas do distrito de Córrego do Feijão atingidas pelos rejeitos e na Igreja Nossa Senhora das Dores, local que funcionou como centro das operações de busca e resgate nos primeiros dias após o rompimento da barragem.
A ação penal segue atualmente na fase de instrução, etapa destinada à produção e análise de provas que servirão de base para a decisão da Justiça Federal. Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, a Vale, a TÜV SÜD e executivos e funcionários ligados às empresas à época dos fatos teriam agido com omissão e negligência diante de sinais de instabilidade da barragem.
Ao término da fase de instrução, caberá à Justiça Federal decidir se os 16 réus denunciados serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. Para os moradores de Brumadinho e, especialmente, para os familiares das 272 vítimas da tragédia, o avanço do processo representa mais um passo na busca por responsabilização e justiça, quase oito anos após o rompimento da barragem.















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