TJMG autoriza Brumadinho a atuar como auxiliar em processo que discute Auxílio Emergencial
- Moisés Oliveira

- há 1 hora
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Os moradores de Brumadinho que dependem do Auxílio Emergencial pago pela Vale como parte das reparações pela tragédia de 2019 ganharam um importante aliado na disputa judicial que pode definir a continuidade dos repasses. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu permitir que o município de Brumadínio integre, como auxiliar, o processo que discute o benefício destinado às pessoas atingidas pelo rompimento da barragem. A autorização ocorreu após recurso apresentado pela própria Prefeitura, que havia sido impedida de participar da ação em primeira instância pelo juiz Murilo Sílvio de Abreu. Com a análise do Agravo de Instrumento, o TJMG reformou a decisão anterior e autorizou a entrada de Brumadinho na condição de assistente litisconsorcial das associações responsáveis pela ação. Para os brumadinhenses, a participação do município no processo significa que suas dores e necessidades serão levadas ao tribunal por quem conhece a realidade local como ninguém.
Durante o julgamento, o tribunal destacou que as ações civis públicas possuem regras próprias que permitem uma participação mais ampla de órgãos públicos, não sendo necessária a existência de um vínculo jurídico direto entre o ente que solicita ingresso e a parte contrária. Para o TJMG, Brumadinho tem relação direta com o caso por ter sido o município mais impactado pelo desastre. Afinal, foi em seu território que a barragem se rompeu, ceifando 272 vidas — a maioria de trabalhadores da própria Mina Córrego do Feijão — e devastando comunidades inteiras. A decisão reconhece que a cidade não é um mero espectador, mas uma parte legítima e interessada no desfecho da ação.
A decisão também levou em conta um argumento prático e urgente: a eventual suspensão do Auxílio Emergencial poderia gerar efeitos imediatos na cidade, como o aumento da demanda por serviços de saúde e assistência social, além de impactos na economia local. Esses fatores foram considerados diretamente ligados às obrigações do município com a oferta de serviços essenciais à população, o que reforça o interesse jurídico na participação. Em outras palavras, se o auxílio for suspenso, quem terá que arcar com o socorro às famílias mais pobres será a própria Prefeitura — que já opera com orçamento apertado. É do interesse de Brumadinho, portanto, que o benefício seja mantido.
Outro ponto de destaque na decisão do TJMG foi a possibilidade de contribuição do município para o processo. A Prefeitura pode trazer informações valiosas sobre a realidade das pessoas afetadas e os efeitos das medidas em debate. Quem melhor do que os servidores municipais, os agentes de saúde e os assistentes sociais que atendem diariamente as famílias atingidas para descrever como o auxílio tem sido usado para comprar comida, pagar aluguel e custear tratamentos médicos? O município pode atuar como uma ponte entre o tribunal e a vida real dos brumadinhenses.
O argumento de que a decisão poderia abrir precedente para outros municípios foi rejeitado pelo TJMG. A justificativa foi de que cada caso deve ser analisado individualmente e que Brumadinho possui uma situação específica por ter sido o epicentro da tragédia. Não são todas as cidades da Bacia do Paraopeba que tiveram uma barragem se rompendo dentro de seu território, matando centenas de pessoas e destruindo o principal rio da região. Brumadinho é único. E essa unicidade foi reconhecida pelo tribunal. Agora, munido da autorização para atuar como assistente litisconsorcial, o município poderá se manifestar nos autos, apresentar provas e recursos, e lutar ao lado das associações de vítimas pela manutenção do Auxílio Emergencial. A luta continua. Mas, desta vez, Brumadinho está oficialmente dentro do ringue.















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