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Terceiro dia de audiências no TRF6 ouve sobreviventes da tragédia da Vale em Brumadinho

  • Foto do escritor: Talles Costa
    Talles Costa
  • há 4 horas
  • 2 min de leitura
Foto - Divulgação
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O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) realiza nesta segunda-feira (2 de março) o terceiro dia de audiências de instrução do processo criminal que apura as responsabilidades pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. A sessão, que integra a fase de produção de provas orais, é considerada fundamental para a análise das condutas dos envolvidos na tragédia que matou 272 pessoas em 25 de janeiro de 2019. Estão previstos os depoimentos de três pessoas diretamente ligadas aos eventos: Fernando Henrique Barbosa Coelho, filho de uma das vítimas fatais; Deivid Arlei Almeida, marido de uma sobrevivente; e Sebastião Gomes, que estava na caminhonete flagrada pelas câmeras fugindo do mar de lama.

Fernando Henrique Barbosa Coelho é filho de Olavo Henrique Coelho, que faleceu aos 63 anos no rompimento. Seu depoimento traz à Justiça a perspectiva de quem perdeu um ente querido e vive as consequências emocionais e materiais do desastre ao longo dos últimos sete anos. A dor da perda, a luta por reparação e a expectativa de responsabilização dos culpados são elementos que devem marcar sua fala perante o tribunal.

Deivid Arlei Almeida é marido de uma sobrevivente e testemunha os impactos do desastre no cotidiano familiar. Seu relato ajuda a compor o mosaico de consequências humanas que vão além das mortes, alcançando traumas, doenças psicológicas, desestruturação de laços e as dificuldades enfrentadas por quem convive com sobreviventes. A experiência de apoio e cuidado em meio à tragédia também integra sua contribuição ao processo.

Sebastião Gomes é um dos sobreviventes cuja imagem correu o mundo: ele estava na caminhonete que aparece nos vídeos do desastre tentando escapar da lama que devastou a estrutura da Vale e soterrou dezenas de pessoas. Seu testemunho é particularmente relevante por trazer a perspectiva de quem esteve no centro do colapso, vivenciou o medo, a corrida contra a morte e as marcas deixadas pela experiência limite. A cena de sua fuga simboliza a luta pela vida em meio à destruição.

Os depoimentos desta segunda-feira aprofundam os impactos humanos da tragédia, oferecendo à Justiça elementos para compreender não apenas as falhas técnicas e administrativas, mas também o sofrimento real das pessoas atingidas. A fase de instrução do processo criminal segue com previsão de 76 audiências até maio de 2027, incluindo depoimentos de testemunhas de acusação e defesa, peritos, bombeiros e, ao final, o interrogatório dos 17 réus – entre eles a Vale, a certificadora alemã TÜV Süd e ex-executivos das empresas.

Para Brumadinho, cada audiência representa um passo na longa caminhada por justiça. A cidade acompanha os desdobramentos com a expectativa de que, ao final do processo, haja responsabilização efetiva pelos crimes cometidos e que a memória das 272 vítimas seja honrada com a punição dos culpados. Os relatos de sobreviventes e familiares mantêm viva a história e pressionam a Justiça a não deixar que o tempo apague a gravidade do que aconteceu.

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