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Polícia Civil conclui inquérito e afasta responsabilidade criminal de Vale e Construtora Pontal na morte de trabalhador

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    Talles Costa
  • há 2 horas
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Imagem gerada por IA
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A morte do trabalhador Thairone Nogueira Santos, ocorrida em janeiro deste ano após um acidente durante atividades de trabalho em Brumadinho, continua gerando desdobramentos judiciais e repercussão entre familiares, empresas e autoridades. Após reportagem publicada pelo INDEPENDENTE com base em denúncias da família da vítima, a defesa da Construtora Pontal entrou em contato com a redação para apresentar documentos e a versão da empresa sobre o caso.

Segundo o advogado da construtora, os fatos ocorreram de forma diferente daquela relatada inicialmente pelos familiares. A defesa sustenta que Thairone não morreu nas dependências da Vale, mas horas depois, já em unidade hospitalar, após atendimento médico. A empresa argumenta que o trabalhador chegou consciente à UPA de Brumadinho após o acidente e que o agravamento de seu quadro ocorreu posteriormente, durante o atendimento de saúde.

A versão apresentada pela defesa foi acompanhada do Inquérito Policial nº 2026-090-000274-001-018376965-41, instaurado pela Polícia Civil de Minas Gerais para apurar as circunstâncias do acidente. Clique e tenha acesso ao documento.

De acordo com o boletim de ocorrência constante nos autos, o acidente aconteceu em 17 de janeiro de 2026, durante a movimentação de aduelas pré-moldadas em uma área operacional na região do Córrego do Feijão. Conforme o registro, uma das peças se deslocou durante a retirada de pinos de sustentação e acabou prensando o trabalhador contra outra estrutura. O documento relata que a vítima sofreu impacto na perna direita, foi socorrida pela equipe de emergência da Vale e encaminhada consciente para atendimento médico em Brumadinho. Posteriormente, foi transferida para o Hospital Regional de Betim, onde faleceu.

Após alguns meses de investigação, o delegado responsável pelo caso, Renan Ubaldo Leocadio, concluiu o inquérito sem promover indiciamentos. No despacho final, a autoridade policial registrou que não foram encontrados indícios suficientes de conduta dolosa ou culposa atribuível a qualquer dos envolvidos. Segundo a conclusão, os elementos apurados apontaram que o evento ocorreu em circunstâncias relacionadas à permanência da vítima em um ponto cego operacional, sem comunicação prévia ao operador da máquina, somada à retirada incompleta de um dos pinos de sustentação da peça.

Por esse motivo, a Polícia Civil decidiu não indiciar representantes da Construtora Pontal, da Vale ou demais envolvidos diretamente investigados, remetendo os autos ao Poder Judiciário para conhecimento e providências cabíveis.

Apesar do encerramento do inquérito sem indiciamentos, a discussão judicial sobre eventuais responsabilidades ainda está em andamento na esfera trabalhista. Familiares de Thairone ingressaram com ação contra a Construtora Pontal e a Vale, pleiteando indenizações e outras reparações decorrentes do acidente. O processo tramita na Justiça do Trabalho sob o número 0010468-39.2026.5.03.0087.

Em decisão recente, o juiz Fernando Rotondo Rocha analisou pedido apresentado pelos familiares para que as empresas fossem obrigadas a custear imediatamente tratamento psicológico dos autores da ação. O magistrado indeferiu a tutela de urgência, afirmando que a responsabilidade civil das empresas ainda constitui uma das principais questões controvertidas do processo e que a definição dependerá da produção de provas durante a instrução processual.

Na mesma decisão, o magistrado determinou a expedição de ofícios à Polícia Civil para envio integral do inquérito e à UPA de Brumadinho para apresentação do prontuário médico e demais documentos relacionados ao atendimento prestado ao trabalhador na data do acidente. A medida busca esclarecer a dinâmica dos fatos e os procedimentos adotados após o socorro.

A defesa da Construtora Pontal afirma que os documentos produzidos durante a investigação reforçam a inexistência de responsabilidade da empresa e da Vale pelo óbito do trabalhador. Já os familiares mantêm questionamentos sobre as circunstâncias do acidente, o atendimento recebido após o ocorrido e a assistência prestada à família desde a morte de Thairone.

O caso segue em tramitação na Justiça do Trabalho, onde ainda serão produzidas provas, ouvidas testemunhas e analisados os documentos requisitados pelo Judiciário. Até o julgamento definitivo, permanecem em discussão as responsabilidades civis decorrentes do acidente que resultou na morte do trabalhador.

O INDEPENDENTE acompanhará o caso e divulgará o desdobramento. Todas as partes envolvidas têm espaço aberto e garantido no Portal sempre que desejarem. Nossa redação está à disposição.

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