STF interrompe novamente julgamento sobre multa de R$ 86,2 milhões aplicada à Vale
- Moisés Oliveira

- 23 de jun.
- 2 min de leitura

O julgamento que analisa a validade da multa de R$ 86,2 milhões aplicada à Vale pela Controladoria-Geral da União (CGU) foi interrompido novamente no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 22 de junho, após o ministro André Mendonça solicitar vista do processo, suspendendo temporariamente a análise do caso, enquanto a Segunda Turma da Corte já havia formado maioria favorável à anulação da penalidade com os votos dos ministros Nunes Marques, relator da ação, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
Esta é a segunda vez que o julgamento é paralisado. Em fevereiro, o processo já havia sido suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes, que devolveu os autos na última semana, permitindo a retomada da análise. Com o novo pedido, André Mendonça terá até 90 dias para devolver o processo. Apesar da maioria já formada, o resultado definitivo somente será proclamado após a conclusão do julgamento.
A multa foi aplicada pela CGU em 2022, após um processo administrativo apontar que a mineradora teria inserido informações falsas e omitido dados relevantes em sistema oficial de monitoramento de barragens, dificultando a fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM). Ao votar pela anulação da penalidade, Nunes Marques argumentou que a Lei Anticorrupção exige a comprovação de intenção específica para a prática de atos de corrupção, o que, segundo ele, não ficou demonstrado no caso analisado. Gilmar Mendes acompanhou o entendimento pela derrubada da multa, mas apresentou fundamentação diferente. Para o ministro, embora a conduta possa se enquadrar na Lei Anticorrupção, não ficou devidamente justificada a adoção dessa legislação em vez das normas específicas do setor de mineração. Segundo ele, a utilização de regras genéricas compromete a segurança jurídica.















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