top of page

Projeto de Biodiversidade financiado com recursos da reparação terá duração de 30 meses

  • Foto do escritor: Moisés Oliveira
    Moisés Oliveira
  • há 9 horas
  • 2 min de leitura
Foto: Praswin Prakashan
Foto: Praswin Prakashan

O Governo de Minas Gerais iniciou a elaboração de uma nova Lista Vermelha de espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção, um diagnóstico atualizado que vai orientar políticas públicas, direcionar recursos ambientais e impactar decisões sobre licenciamento de obras e empreendimentos. Apresentado nesta terça-feira (31) em Belo Horizonte, o projeto tem prazo de 30 meses e será financiado com recursos do acordo de reparação pelo rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019. Para os moradores da região, a iniciativa representa uma forma de garantir proteção à biodiversidade também atingida pela tragédia, com a criação de uma base científica que embase ações de conservação em todo o estado.

Atualmente, Minas Gerais abriga cerca de 14 mil espécies conhecidas, mas não possui um levantamento atualizado sobre quais delas estão efetivamente em risco de extinção. As listas em vigor têm, em parte, mais de uma década, o que compromete decisões estratégicas e dificulta ações de preservação. A nova classificação, baseada na metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), referência global, definirá níveis de ameaça como “criticamente em perigo”, “em perigo” ou “vulnerável”, a partir de critérios científicos rigorosos.

A diretora de proteção à fauna do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Laura Homem, destacou a importância do projeto. “Esse é um importante projeto, um marco para conservação da biodiversidade. Tem como objetivo atualizar o grau de ameaça das espécies de flora e fauna de Minas Gerais”, afirmou. O trabalho incluirá análise de dados científicos, validação por especialistas, participação da comunidade acadêmica e consultas públicas, com a criação de um banco de dados público acessível a todos.

O mapeamento terá impacto direto no planejamento ambiental do estado. Ao identificar áreas prioritárias para conservação e subsidiar análises de impacto ambiental, a lista poderá alterar a forma como projetos de mineração, infraestrutura e urbanização são aprovados ou adaptados. “É muito relevante conseguir frear, no nível dos estados, o processo de extinção para evitar perdas em escala global”, explicou o gerente de conservação de fauna aquática do IEF, Leandro Guimarães.

A iniciativa surge em meio a um cenário global de perda acelerada de biodiversidade. Dados apresentados no lançamento indicam que a taxa atual de extinção pode ser de 10 a 100 vezes maior que a média dos últimos 10 milhões de anos, com até 14% de todas as espécies do planeta em risco. Corais, anfíbios e árvores estão entre os grupos mais afetados, reforçando a urgência de diagnósticos regionais precisos.

Para os atingidos pela tragédia de Brumadinho, o projeto tem um significado especial. A presidente da Associação dos Familiares e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Vale em Brumadinho (Avabrum), Nayara Porto, ressaltou a importância de ver os recursos da reparação sendo aplicados na proteção ambiental. “Estamos falando de cuidado com a vida. A fauna e a flora também foram atingidas. É importante ver esse recurso sendo usado para proteger”, afirmou.

Ao final do projeto, será publicado um “Livro Vermelho” com as espécies ameaçadas em Minas Gerais, além de um guia prático e um sistema online aberto ao público. Para Brumadinho e toda a bacia do Paraopeba, onde os impactos ambientais de 2019 ainda são sentidos, a atualização da lista representa um passo importante na construção de um futuro mais sustentável e na valorização da biodiversidade como patrimônio a ser preservado.


Comentários


Anuncie Apoio_edited.jpg

Receba nossas atualizações

Obrigado pelo envio!

© 2026 por Portal Independente Notícia. 

© Copyright
bottom of page