ONG de mineradora de Brumadinho que teve banqueiro Daniel Vorcaro como sócio vai eleger conselho ambiental em Minas; entidades pedem investigação
- Redação Portal Independente

- há 1 dia
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ONG ligada à mineradora Itaminas, que tem como presidente o CEO da empresa, Thiago Toscano, e mantém no cadastro da Receita Federal o e-mail ongs@itaminas.com.br, está habilitada a participar da eleição marcada para 26 de junho que definirá a composição do Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam), órgão responsável por licenças ambientais e minerárias no estado, o que motivou uma representação protocolada no Ministério Público de Minas Gerais no dia 10 de junho por três organizações socioambientais — Instituto Cordilheira, Instituto Diadorim e Instituto Fórum Permanente São Francisco — que questionam a participação de uma entidade vinculada ao setor produtivo em espaço reservado à sociedade civil. A denúncia foi publicada pelo site Repórter Brasil nesta segunda-feira (15).
Para os brumadinhenses, o caso ganha relevância porque a Itaminas arrendou da Vale a exploração da Mina da Jangada, em Brumadinho, próxima à Mina do Córrego do Feijão, onde o rompimento da barragem matou 272 pessoas em 2019. A empresa, que até o ano passado teve o banqueiro Daniel Vorcaro (preso em investigações sobre o Banco Master) entre seus sócios, anunciou investimentos de R$ 1,5 bilhão para expandir a produção até 2033. A representação sustenta que a Associação O Libertador não deveria ser habilitada porque é dirigida pelo principal executivo de uma mineradora com interesses sujeitos a decisões do próprio sistema ambiental estadual. "O setor produtivo já possui ampla representação nos colegiados ambientais. O que nos chamou atenção foi encontrar entidades dirigidas por pessoas ligadas à mineração disputando os espaços reservados às organizações ambientalistas", afirmou Gustavo Gazzinelli, do Instituto Diadorim.
A Itaminas afirmou em nota que não há conflito de interesse e que a Associação O Libertador é uma organização autônoma e sem fins lucrativos, voltada à promoção do desenvolvimento sustentável, da educação e da cidadania, desenvolvendo projetos sociais em Sarzedo para cerca de 120 crianças. A empresa sustenta que a legislação não impede profissionais do setor privado de criar ou dirigir ONGs. O Ministério Público informou que a representação foi encaminhada à 15ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, em Belo Horizonte, e que já existe um inquérito civil em andamento sobre a composição do Copam. A Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente) afirmou que realiza análises complementares e que os recursos contra habilitações ainda não foram concluídos. A eleição para recomposição do Copam segue em andamento, com votação prevista para 26 de junho.















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