Fogos de artifício no fim de ano exigem cuidados especiais com cães, autistas e idosos
- Moisés Oliveira

- há 14 horas
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Os tradicionais fogos de artifício que celebram o Natal e o Ano-Novo podem desencadear momentos de intenso estresse e medo não apenas para os animais, especialmente os cães, mas também para pessoas autistas e idosas. Os ruídos altos e imprevisíveis são percebidos como ameaças pela sensibilidade auditiva dos cães, e podem causar ansiedade, crises sensoriais e desconforto em humanos com condições específicas. Em Brumadinho, uma comunidade que valoriza a união e o cuidado, adotar medidas preventivas e de acolhimento para esses grupos vulneráveis pode fazer a diferença entre uma celebração e um período de sofrimento.
Os cães possuem uma audição muito mais aguçada que a dos humanos, o que faz com que os estampidos sejam vivenciados com intensidade aterradora. As reações mais comuns incluem tremores, tentativas desesperadas de fuga, busca por esconderijos e alterações de comportamento. Para mitigar esse sofrimento, tutores podem adotar algumas estratégias simples, mas eficazes: garantir que o animal não fique sozinho, manter portas e janelas fechadas para abafar o som, criar um refúgio tranquilo e escuro com objetos familiares e música ambiente suave, e, principalmente, oferecer acolhimento calmo, sem repreensões. Em casos de pavor extremo, a consulta a um médico veterinário para avaliação de possíveis intervenções, como o uso de feromônios ou medicamentos prescritos, é fundamental.
O impacto dos fogos de artifício, no entanto, vai além do mundo animal. Pessoas autistas, que podem ter processamento sensorial atípico, e idosos, especialmente aqueles com condições como Alzheimer ou maior sensibilidade ao ruído, também são profundamente afetados. Para eles, o barulho súbito e intenso pode causar crises de ansiedade, desorientação, taquicardia e um sentimento avassalador de insegurança. Assim como para os pets, a criação de um ambiente seguro e controlado é a chave: um cômodo da casa com isolamento acústico máximo (usando cortinas pesadas, tapetes e até mesmo fones de ouvido com cancelamento de ruído), a manutenção de uma rotina previsível e a presença tranquilizadora de um familiar ou cuidador são medidas de extrema importância.
Em Brumadinho, onde os laços comunitários foram fortalecidos na adversidade, esse conhecimento pode se transformar em ação coletiva. Vizinhos podem combinar de evitar soltar fogos barulhentos perto de residências onde sabem que vivem cães sensíveis, pessoas autistas ou idosos. A simples comunicação e a consideração pelo próximo têm o poder de transformar a experiência de toda uma rua ou bairro durante as festas. A conscientização sobre os efeitos negativos dos fogos sonoros e a preferência por espetáculos de luzes silenciosos, quando disponíveis, são formas de celebrar sem causar angústia.
A preparação para esse período deve ser antecipada, não deixada para a véspera das festas. Para os cães, técnicas de dessensibilização sonora, que envolvem a exposição gradual e positiva a gravações de fogos em volume baixo, podem trazer benefícios duradouros. Para as famílias com membros autistas ou idosos, conversar sobre o que vai acontecer, preparar o ambiente com antecedência e ter um plano para momentos de crise oferece segurança. Em uma cidade que se reergue com empatia, estender esse cuidado aos mais vulneráveis aos ruídos das celebrações é um passo natural na construção de uma comunidade verdadeiramente acolhedora para todos os seus habitantes, sejam eles de duas ou de quatro patas.


















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