Família de trabalhador morto em acidente na Vale em Brumadinho denuncia abandono e diz ser criminalizada por cobrar respostas
- Redação Portal Independente

- há 1 dia
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A família de Thairone Nogueira Santos, trabalhador que morreu em um acidente nas dependências da Vale em Brumadinho, em janeiro deste ano, enquanto prestava serviço para a Construtora Pontal, denuncia que as empresas responsáveis não prestaram o devido acolhimento à família, que até hoje não recebeu apoio psicológico e que, além de enfrentar o luto, está sendo investigada criminalmente pela Construtora Pontal na Polícia Civil sob acusação de ameaças — tudo por insistir em respostas que, segundo os familiares, são um direito elementar de qualquer cidadão. O irmão da vítima, Thailan Nogueira Santos, cedeu à reportagem um vídeo gravado pela mãe de Thairone, no qual ela relata o sofrimento da família e a sensação de abandono. A redação optou por não compartilhar para não expor a mulher.
Para os brumadinhenses que acompanham de perto os impactos da mineração e das relações de trabalho na cidade, o caso expõe uma face cruel da tragédia que vai além das mortes contabilizadas. Thairone faleceu dentro da estrutura da Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, enquanto executava atividades terceirizadas pela Construtora Pontal. Segundo o relato da família, em vez de suporte psicológico e transparência sobre as circunstâncias do acidente, os parentes foram surpreendidos com uma denúncia criminal registrada pela própria Pontal, que os acusa de ameaças. “Perdemos um ente querido e ainda temos que nos explicar numa delegacia. É desumano”, afirmou Thailan.

O episódio reacende o debate sobre a responsabilidade das contratantes e prestadoras de serviço no cuidado com os trabalhadores e seus familiares após acidentes fatais. Especialistas apontam que o abandono psicológico e institucional de famílias enlutadas é recorrente em tragédias laborais no setor de mineração e construção pesada em Brumadinho. A família de Thairone alega que, até o momento, não recebeu qualquer atendimento psicossocial da Vale nem da Construtora Pontal, e que as cobranças por informações sobre o acidente e sobre os direitos trabalhistas teriam motivado a retaliação judicial. A Polícia Civil ainda não se manifestou sobre o inquérito que apura as supostas ameaças, e a família diz estar disposta a colaborar com a Justiça, mas cobra reciprocidade. “Só queremos o mínimo: respeito e respostas. Nosso irmão não pode ser tratado como um número”, concluiu Thailan.
Após a reportagem do INDEPENDENTE, a defesa da Construtora Pontal entrou em contato com nossa redação e encaminhou documentos oficiais, incluindo o inquérito da Polícia Civil e peças da ação trabalhista movida pelos familiares. Segundo a empresa, Thairone não morreu no local do acidente, mas após ser socorrido e encaminhado para atendimento médico. A defesa também destaca que o inquérito policial foi concluído sem indiciamento de representantes da Construtora Pontal ou da Vale.
No despacho final, a Polícia Civil apontou não haver indícios suficientes de conduta dolosa ou culposa atribuível aos investigados. Apesar da conclusão da investigação criminal, o caso continua sendo discutido na Justiça do Trabalho. Leia a matéria completa com os descobramentos clicando aqui.















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