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Câncer de colo do útero mata 20 mulheres por dia no Brasil; casos devem crescer 14% até 2028

  • Foto do escritor: Talles Costa
    Talles Costa
  • há 5 horas
  • 3 min de leitura
Foto: Divulgacão
Foto: Divulgacão

Vinte mulheres morrem todos os dias no Brasil vítimas de câncer de colo do útero, uma doença que pode ser prevenida com vacina e detectada precocemente por exames simples. O alerta ganha ainda mais urgência com as projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, que estimam mais de 19 mil novos casos anuais no país – um aumento de 14% em relação ao período anterior. Em Minas Gerais e em Brumadinho, a campanha Março Lilás chega para reforçar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e, principalmente, da vacinação contra o HPV, vírus responsável por 99% dos tumores de colo de útero.

O câncer de colo do útero é hoje o terceiro mais comum entre as mulheres brasileiras e o segundo mais letal na faixa etária até 60 anos. A principal causa é a infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), transmitido pelo contato direto entre pele e mucosas durante relações sexuais. "O HPV tem tipos oncogênicos, que alteram o controle de qualidade celular e geram lesões pré-malignas. Se não tratadas, podem evoluir para o câncer", explica Suzana Aidé, presidente da Comissão Especializada de Vacinas da Febrasgo.

A vacinação é a principal ferramenta de prevenção. Estima-se que oito em cada dez pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV ao longo da vida. Como a transmissão pode ocorrer mesmo em áreas não cobertas pela camisinha, o preservativo reduz, mas não elimina totalmente o risco. Por isso, a imunização é estratégica. No SUS, a vacina quadrivalente está disponível para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com catch-up temporário dos 15 aos 19 anos, além de grupos específicos como pessoas vivendo com HIV, transplantados, vítimas de violência sexual e usuários de PrEP até 45 anos.

Além da vacina, exames de rastreamento como o Papanicolau e o teste de DNA do HPV são fundamentais para identificar lesões ainda em estágio inicial. "O câncer de colo do útero pode levar décadas para se manifestar. A prevenção combinada – vacina mais exames de rotina – é o caminho para erradicar a doença", afirma Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu metas globais: vacinar 90% das meninas até os 15 anos, garantir que 70% das mulheres realizem exames aos 35 e 45 anos e assegurar que 90% das diagnosticadas recebam tratamento adequado.


Apesar da gravidade do cenário, a desinformação ainda é um obstáculo. Pesquisa do EVA – Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos – em parceria com o Instituto Locomotiva aponta que seis em cada dez mulheres não sabem que o HPV é responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero, e oito em cada dez desconhecem ao menos uma informação essencial sobre o vírus. O desconhecimento também atinge os homens: um levantamento com 300 brasileiros revelou que um em cada três acredita que o HPV afeta apenas mulheres, e 45% pensam que a camisinha é suficiente para prevenir a infecção.

O HPV também causa câncer em homens, como os de pênis, ânus e cavidade oral – este último entre os sete tipos mais incidentes no país. Estima-se que um em cada cinco homens apresente tipos virais de alto risco. "Esses dados desafiam a ideia de que o risco diminui com a idade e reforçam a importância da prevenção contínua, da adolescência à maturidade", acrescenta Márcia Datz Abadi.

Para os moradores de Brumadinho, o Março Lilás é uma oportunidade de buscar informações, colocar a caderneta de vacinação em dia e agendar exames preventivos nas unidades de saúde. A prevenção começa na infância, com a vacina contra o HPV, e segue por toda a vida, com o acompanhamento ginecológico regular. Em uma cidade que já enfrentou tantos desafios, cuidar da saúde da mulher é também um ato de fortalecimento da comunidade.


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