A 9 dias do fim do prazo, 40% dos contribuintes em Minas ainda não fizeram o Imposto de Renda
- Guilherme Almeida

- 21 de mai.
- 3 min de leitura

A reta final para entrega do Imposto de Renda 2026 tem preocupado a Receita Federal em Minas Gerais. Faltando apenas nove dias para o encerramento do prazo, cerca de 40% dos contribuintes mineiros ainda não enviaram a declaração, o que representa aproximadamente 1,7 milhão de pessoas. O prazo termina no dia 29 de maio e, até esta quarta-feira (20), pouco mais de 2,6 milhões de declarações haviam sido transmitidas no estado. A situação também serve de alerta para moradores de Brumadinho, já que o atraso pode gerar multas e outras complicações junto à Receita Federal.
A expectativa do órgão federal é receber mais de 4,3 milhões de declarações em Minas Gerais até o encerramento do calendário deste ano. Apesar do avanço no número de envios nas últimas semanas, a quantidade de pessoas que ainda não prestaram contas ao Fisco continua elevada, aumentando a procura por contadores, escritórios de assessoria fiscal e plataformas digitais de declaração neste fim de prazo.
Entre os contribuintes que já acertaram as contas com o Leão, a maioria optou pela declaração pré-preenchida, ferramenta disponibilizada pela Receita Federal que importa automaticamente diversas informações fiscais do cidadão. O modelo foi utilizado por cerca de 61,9% dos declarantes mineiros, reflexo da busca por mais praticidade e redução de erros no preenchimento das informações.
Os dados divulgados pela Receita mostram ainda que grande parte dos contribuintes terá valores a receber. Aproximadamente 63,5% das declarações entregues até agora indicam direito à restituição. Outros 21,1% terão imposto complementar a pagar, enquanto 15,5% não terão nem restituição nem pagamento adicional.
A obrigatoriedade da declaração continua atingindo milhões de brasileiros. Devem declarar o Imposto de Renda os contribuintes que receberam, ao longo de 2025, rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584. Também entram na lista pessoas que tiveram rendimentos isentos superiores a R$ 200 mil, realizaram operações na bolsa de valores, venderam bens com ganho de capital ou possuíam patrimônio acima de R$ 800 mil até o fim do ano passado.
Produtores rurais também precisam ficar atentos. Quem obteve receita bruta rural superior a R$ 177.920 em 2025 está obrigado a enviar a declaração. A exigência inclui ainda brasileiros que passaram à condição de residentes no país durante o ano passado e pessoas que possuem aplicações financeiras, offshores, trusts ou outros investimentos no exterior.
Por outro lado, alguns contribuintes ficam dispensados da obrigação. Estão fora da exigência aqueles que não se enquadram nos critérios definidos pela Receita Federal, além de pessoas que tiveram os rendimentos incluídos na declaração do cônjuge ou companheiro e possuem patrimônio inferior ao limite estabelecido. Dependentes já informados em outras declarações também não precisam entregar documento separado.
Em cidades como Brumadinho, muitos moradores costumam deixar a entrega para os últimos dias, principalmente trabalhadores autônomos, pequenos comerciantes, aposentados e pessoas que dependem da organização de documentos bancários e comprovantes de despesas médicas. Contadores alertam que o atraso pode provocar congestionamentos nos sistemas e aumentar as chances de erros no preenchimento.
Quem perder o prazo ficará sujeito à cobrança de multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido. Além da penalidade financeira, a ausência da declaração pode gerar restrições no CPF, dificultando financiamentos, emissão de documentos e movimentações bancárias.
Outro fator que pesa para quem deixa para a última hora é a restituição. A Receita Federal costuma priorizar os primeiros contribuintes que enviam corretamente as informações, o que aumenta as chances de receber os valores nos lotes iniciais de pagamento, previstos para começar ainda neste mês de maio.
A recomendação dos especialistas é que os contribuintes revisem cuidadosamente todas as informações antes do envio, principalmente dados bancários, informes de rendimento, despesas médicas e informações patrimoniais, evitando cair na malha fina da Receita Federal.















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