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Vizinha Moeda celebra 71 anos com entrega de estação restaurada e nova área cultural para a região

  • Foto do escritor: Talles Costa
    Talles Costa
  • 12 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura
Foto: Divulgação/Wandra Araujo
Foto: Divulgação/Wandra Araujo

A Estação Ferroviária de Moeda, um dos marcos históricos mais antigos da região Central de Minas Gerais, será entregue totalmente restaurada nesta sexta-feira (12), em uma celebração que marca também os 71 anos de emancipação do município vizinho de Brumadinho. Construída em 1919 e agora revitalizada após um investimento de R$ 2,8 milhões, a estação ressurge como um espaço cultural, turístico e de convivência, ampliando o potencial da Serra da Moeda e recuperando parte da identidade que, por décadas, também definiu a paisagem e os costumes brumadinhenses.

A reinauguração acontece das 9h às 12h e contará com cerimônia oficial, apresentações artísticas, homenagens e bênção ecumênica. O prédio, tombado desde 2006, foi completamente restaurado, recuperando características arquitetônicas originais e revelando pinturas ocultas que estavam escondidas sob camadas de tinta. A intervenção transformou o local em um novo centro de vida pública, com áreas de circulação acessíveis, paisagismo renovado, espaço para feiras, lanchonete, sanitários e revitalização completa do entorno — ações que, segundo a Prefeitura de Moeda, reforçam o compromisso com o patrimônio histórico e com o desenvolvimento social e cultural.

Para os moradores de Brumadinho, município vizinho que compartilha com Moeda parte do mesmo território montanhoso e de tradições ferroviárias, a restauração representa não apenas a preservação de um patrimônio regional, mas a reativação de laços culturais que marcaram o cotidiano dessas cidades ao longo do século XX. Muitas famílias brumadinhenses utilizavam a linha férrea para circular entre as localidades, trabalhar ou transportar mercadorias. “Preservar esse bem histórico é uma forma de manter viva uma memória que também pertence a toda nossa região”, afirmam representantes do setor cultural de Moeda.


Foto: Divulgação/Wandra Araujo
Foto: Divulgação/Wandra Araujo

O prefeito Décio Lapa reforça o caráter simbólico da obra. Para ele, devolver a estação à comunidade significa valorizar um testemunho arquitetônico raro e ainda profundamente conectado à história das cidades serranas. “Cada detalhe resgatado nessa estação fala sobre quem somos. A restauração não é apenas física, é também identitária. Queremos que as novas gerações sintam orgulho dessa história”, declarou.

O entorno do prédio recebeu mobiliário urbano, bancos, mesas para jogos, áreas de descanso e plantio de árvores frutíferas — como pitangueiras, goiabeiras e aceroleiras — além de espécies nativas que reforçam a ambiência típica da Serra da Moeda. A escultura Maria da Fonte e o chafariz, ambos parte do patrimônio da cidade, também passaram por restauro. Casas vizinhas à linha férrea foram revitalizadas com tintas cedidas pela MRS, contribuindo para a harmonia visual do conjunto histórico.

A empresa, que patrocinou o restauro via Lei Federal de Incentivo à Cultura, destacou a importância da iniciativa. “A revitalização da Estação de Moeda representa o encontro entre preservação histórica e responsabilidade social. É uma forma de fortalecer os vínculos com a comunidade e manter vivo um patrimônio ferroviário que faz parte da identidade de Minas Gerais”, afirmou Laís Rodrigues, Analista de Relacionamento Institucional da MRS.

O trabalho de prospecção histórica revelou ainda faixas decorativas e pinturas antigas preservadas no salão interno, que agora ficam expostas em janelas protegidas por vidro e acompanhadas de textos explicativos. Essas “camadas de memória” ajudam visitantes a compreender as diversas fases arquitetônicas da estação ao longo do século.

A Holofote Cultural, responsável pela coordenação do projeto, celebrou a força simbólica da entrega. “A estação volta a pulsar junto com a cidade. É um gesto de cuidado e de pertencimento, que transforma o centro de Moeda em um espaço mais vivo e conectado à sua história”, disse o diretor e idealizador Gilson Fernandes.

Nos próximos anos, a Secretaria de Cultura e Turismo planeja criar um museu ou memorial ferroviário. Famílias locais já começaram a doar objetos antigos, que serão expostos em uma mostra especial durante a reinauguração.

Com pouco mais de 5 mil habitantes, Moeda vive um momento de fortalecimento do turismo local, impulsionado pela paisagem da serra, esportes radicais, gastronomia e tradições mineiras. A estação restaurada se soma a esse conjunto e também reacende uma atmosfera nostálgica que muitos brumadinhenses recordam: uma cidade pacata, marcada pelo trem, pela linha do horizonte e pelo movimento simples das comunidades que cresceram em torno da ferrovia — cenário muito semelhante ao que Brumadinho costumava ter décadas atrás.

Para a região, a entrega da estação representa uma conquista cultural, histórica e social, capaz de atrair visitantes e reafirmar a relevância da memória ferroviária como patrimônio compartilhado entre cidades irmãs.


Foto: Divulgação/Wandra Araujo
Foto: Divulgação/Wandra Araujo


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