Preço da carne bovina deve impactar o bolso dos brumadinhenses nos próximos meses


Os brumadinhenses que apreciam um bom churrasco ou um bife no almoço precisam se preparar para sentir um impacto maior no bolso nas próximas semanas e meses. Um conjunto de fatores nacionais, incluindo uma mudança no ciclo de criação do gado e os efeitos residuais do período de estiagem, está pressionando os preços da carne bovina em todo o país, tendência que deve chegar aos açougues locais. A situação, analisada por especialistas do setor, não é passageira e deve influenciar o mercado pelo menos até 2026.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, o mês de outubro já registrou altas significativas no custo do boi gordo no estado de São Paulo e em outras praças pesquisadas. A instituição atribui parte dessa valorização ao tempo seco, que reduz drasticamente a qualidade e a disponibilidade de pastagens, fundamentais para a engorda do gado. Esse cenário climático, que historicamente afeta a pecuária, gera reflexos mesmo com a proximidade das chuvas.
Em cenários normais, a seca poderia até levar a uma oferta temporariamente maior de animais, como explica a analista de agronegócio do Sistema Faemg, Mariana Simões. Muitos produtores, enfrentando pastagens áridas e dificuldade para alimentar o rebanho, optam por enviar o gado para abate mais cedo como estratégia de manejo, já que nem todos têm condições de investir em ração à base de milho e soja para manter a nutrição. No entanto, o que se observa este ano é uma mudança mais profunda no ciclo pecuário.
Simões detalha que, entre 2024 e o primeiro semestre de 2025, o país registrou volumes recordes de abate de fêmeas – matrizes que seriam responsáveis por repor o rebanho. Esse movimento resultou em uma menor disponibilidade de bezerros e, consequentemente, de animais prontos para o abate no momento atual. "Nesse momento, a gente tem uma expectativa de uma possível recuperação de preços ao produtor, mas que também pode refletir para o consumidor em uma alta no preço do produto", afirma a especialista. A perspectiva é que esse cenário de oferta mais restrita e preços em recuperação se estenda ao longo de todo o ano de 2026.
Além do preço, a qualidade da proteína que chega à mesa do consumidor também pode ser influenciada pelo clima. O coordenador de bovinocultura da Emater-MG, Nauto Martins, explica que mesmo com um regime de chuvas mais regular, a qualidade do pasto no período seco é inferior. Isso afeta a terminação do gado – a fase final de engorda –, podendo resultar em uma carne com menor concentração de gordura intramuscular, o conhecido "marmoreio", que confere maciez e sabor. Produtos com essa característica podem, inclusive, ser negociados a preços menores no atacado por não atenderem a certos padrões de qualidade.
O efeito da estiagem se estende também à cadeia do leite, conforme aponta Martins. A aridez das pastagens reduz os sólidos no leite, comprometendo a qualidade final do produto. Com a produção mais baixa, a captação pelos laticínios e cooperativas diminui, o que historicamente leva a um aumento no preço para o consumidor final. Dessa forma, as famílias de Brumadinho podem sentir o reflexo do clima não apenas no açougue, mas também na hora de comprar o leite, unindo dois importantes itens da cesta básica em uma mesma tendência de custo elevado.














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