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Minas é o segundo estado com mais feminicídios no Brasil, aponta levantamento

Foto do escritor: Talles Costa
Talles Costa
17 de ago.
3 min de leitura
Foto: Tarun Savvy
Foto: Tarun Savvy

Minas Gerais registrou, em 2025, quatro vezes mais feminicídios do que latrocínios, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no fim de julho. Foram 177 mulheres assassinadas por razões de gênero no Estado, enquanto 44 pessoas perderam a vida durante roubos. O levantamento coloca Minas na segunda posição entre os estados brasileiros com maior número de feminicídios e chama atenção para a dimensão da violência contra a mulher como um dos principais desafios da segurança pública mineira.

No ranking nacional, Minas Gerais ficou atrás apenas de São Paulo, que contabilizou 270 feminicídios no mesmo período. Já quando considerados os latrocínios, o Estado aparece na sétima colocação, empatado com o Paraná. São Paulo liderou esse levantamento, com 131 mortes decorrentes de roubos.

O número de feminicídios também reforça uma característica desse tipo de crime: segundo Beatriz Schroeder, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essas mortes geralmente não acontecem de maneira isolada ou repentina. Para ela, o feminicídio costuma representar o ponto final de uma sequência de violências que pode se intensificar ao longo do tempo.

A pesquisadora destaca que sinais como controle sobre a rotina da mulher, ciúme excessivo, perseguição, ameaças e humilhações podem aparecer antes de uma agressão mais grave. Por isso, a identificação desses comportamentos é apontada como uma possibilidade de atuação preventiva.

Na avaliação de Beatriz, o enfrentamento da violência contra a mulher também precisa começar pela educação. A proposta envolve abordar o tema nas escolas, ensinar formas saudáveis de relacionamento e reforçar que relações não devem ser baseadas em controle ou agressão.

Outro ponto considerado fundamental é o fortalecimento da rede de atendimento. Segundo a pesquisadora, não apenas os serviços especializados, mas todos os equipamentos públicos precisam estar preparados para acolher mulheres que estejam vivendo situações de violência.

Embora feminicídios e latrocínios resultem em mortes, os dois crimes apresentam características diferentes e, consequentemente, demandam estratégias distintas de prevenção, segundo o coronel da reserva da Polícia Militar e especialista em segurança pública Gedir Rocha.

No caso dos latrocínios, o especialista explica que o crime normalmente está associado à oportunidade durante um roubo. Para situações de abordagem criminosa, a recomendação é evitar reações, manter a calma e não realizar movimentos bruscos.

Já o feminicídio está inserido, conforme a avaliação do especialista, em um contexto diferente. Assim como a pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Gedir Rocha aponta que a morte frequentemente representa o desfecho de uma sequência de violências.

Para o especialista, o enfrentamento desse tipo de crime envolve mudanças culturais, educação e fortalecimento da rede de proteção às mulheres. Ele também destaca a importância da atuação conjunta de diferentes setores, já que as forças de segurança, sozinhas, não conseguem enfrentar toda a complexidade da violência doméstica e familiar.

Em Minas Gerais, uma das iniciativas citadas é a Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica, que realiza acompanhamento de mulheres consideradas em situação de risco. O trabalho, entretanto, precisa estar associado à atuação de outros setores, como assistência social, Judiciário, escolas e demais instituições envolvidas na proteção das vítimas.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirma que desenvolve continuamente políticas de prevenção e enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher. As ações envolvem assistência, acolhimento, proteção às vítimas e estímulo à denúncia.

No combate aos crimes violentos, entre eles os latrocínios, as Forças de Segurança atuam por meio de ações de prevenção, inteligência, investigação e repressão qualificada, com o objetivo de enfrentar a criminalidade e ampliar a segurança da população.

Para os casos de violência contra a mulher, um dos principais canais de denúncia é o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher vinculada ao Ministério das Mulheres. O serviço recebe denúncias e orientações gratuitamente e funciona 24 horas por dia.

Os números registrados em Minas Gerais mostram que a violência contra as mulheres permanece como uma questão que ultrapassa a atuação policial. A diferença entre os 177 feminicídios e os 44 latrocínios registrados em 2025 evidencia a necessidade de atenção específica para crimes relacionados à violência de gênero, especialmente diante da possibilidade de que situações de violência sejam identificadas antes de chegarem ao estágio mais grave.


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