top of page

Minas registra quase vinte casos diários de agressão a animais; denúncias crescem 48%

  • Foto do escritor: Talles Costa
    Talles Costa
  • 3 de fev.
  • 3 min de leitura
Foto - Adobe
Foto - Adobe

Todos os dias, em média dezoito animais são agredidos, negligenciados ou abandonados em Minas Gerais, revelando um cenário de violência que cresceu quase 50% em apenas um ano. Dados oficiais da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mostram que, em 2025, foram registradas 6.743 ocorrências de maus-tratos, contra 4.535 no ano anterior — um salto que acende um alerta em todo o estado, inclusive nas cidades do interior, como Brumadinho, onde a conscientização e a denúncia também precisam chegar com força. Especialistas apontam que o aumento reflete maior mobilização social e o endurecimento da lei, mas também expõe uma realidade cruel que segue à espera de mais proteção.

O caso que ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate ocorreu no litoral de Santa Catarina, em janeiro deste ano, quando o cão comunitário Orelha foi espancado até a morte por adolescentes. A brutalidade chocou o país e parece ter ecoado nos números mineiros, que já vinham em trajetória ascendente. Em 2021, foram 3.785 registros; em 2022, uma ligeira queda para 3.596; e a partir de então, os casos só aumentaram. Paralelamente, o número de pessoas presas ou apreendidas por esses crimes também subiu: 418 em 2025, aumento de 17% em relação a 2024.

Um dos responsáveis por mudar o panorama legal desses crimes é o deputado federal Fred Costa (PRD-MG), autor da Lei Sansão. A norma aumentou a pena para maus-tratos contra cães e gatos de 3 meses a 1 ano de detenção (que podia ser convertida em penas alternativas) para 2 a 5 anos de reclusão em regime fechado, além de multa e perda da guarda. Em caso de morte do animal, a pena pode ser aumentada em até um terço. Para o parlamentar, o crescimento nas estatísticas não significa necessariamente mais violência, mas sim mais denúncias, fruto de maior empatia da sociedade e do fim da sensação de impunidade.

A sociedade mineira tem de fato se mobilizado. Protetores independentes, ONGs e adotantes dedicam tempo e recursos para resgatar animais vítimas de crueldade. Em Belo Horizonte, a advogada Simone Silva, de 38 anos, deu um novo lar a três cadelas resgatadas pela Sociedade Mineira Protetora dos Animais (SMPA). Milana, Rute e Elsa chegaram traumatizadas — uma delas temia até a vassoura, associando-a a agressões. Histórias como essa se repetem em várias cidades, e Brumadinho não está imune: cães e gatos abandonados, acorrentados ou submetidos a condições precárias também precisam de olhares atentos e da coragem de quem denuncia.

Para o delegado Pedro Ribeiro, da Divisão Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), o aumento de registros é um reflexo positivo da educação ambiental e da conscientização popular. No entanto, ele faz um alerta: quase metade das denúncias recebidas são falsas ou motivadas por conflitos entre vizinhos, o que sobrecarrega a polícia e desvia atenção de casos reais. A orientação é que, antes de acionar as autoridades, o cidadão confira a veracidade do fato e, se confirmado, registre o máximo de informações possível — fotos, vídeos, descrição do suspeito — para auxiliar na investigação.

Entre as formas mais comuns de maus-tratos estão agressão física direta, abandono, falta de alimentação e água, falta de assistência veterinária, condições inadequadas de alojamento — como correntes curtas ou locais sujos — e exposição a intempéries. Aos brumadinhenses que presenciem qualquer uma dessas situações, a indicação é acionar a Polícia Militar pelo 190 em casos de urgência, ou utilizar o Disque-Denúncia 181, que garante o anonimato. A proteção animal é um dever de todos, e cada denúncia pode significar um resgate, uma nova chance e, quem sabe, um final feliz como o das cadelas adotadas por Simone.


Comentários


Anuncie Apoio_edited.jpg
bottom of page