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Minas registra 52 mortes por dengue em 2026 e prepara ações para conter avanço da doença

Foto do escritor: Talles Costa
Talles Costa
há 2 dias
4 min de leitura
Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases
Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases

Minas Gerais acendeu o alerta para o risco de aumento dos casos de dengue e de outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti nos primeiros meses de 2027. Até esta quarta-feira (28), o estado contabilizava 48.403 casos confirmados de dengue e 52 mortes pela doença neste ano. A preocupação foi apresentada pelo secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, durante a Jornada Mineira de Arboviroses, realizada na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. Segundo ele, a possibilidade de condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito exige que os municípios intensifiquem desde já as medidas de prevenção e preparem a rede de saúde para um período que pode ser marcado por uma nova epidemia.

Durante o encontro, que reuniu especialistas, técnicos e secretários municipais de Saúde, Baccheretti afirmou que a expectativa é de um cenário desafiador no próximo ano. A avaliação considera a possibilidade de um super El Niño, fenômeno climático capaz de alterar os padrões de chuva e temperatura e, consequentemente, influenciar as condições de reprodução do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.

“Provavelmente, 2027 não será um ano fácil. Pela nossa expectativa de superação dos níveis anteriores, devemos ter um ano muito difícil, e precisamos nos preparar para isso”, declarou o secretário.

Além dos 48.403 casos confirmados de dengue, Minas Gerais registrou 65.005 casos prováveis da doença até outubro. No mesmo período, foram contabilizados 15.384 casos de chikungunya, com seis mortes, além de 13 casos confirmados de zika.

A preocupação do governo estadual está concentrada principalmente nos meses de fevereiro e março, quando historicamente as condições sazonais podem favorecer o aumento da transmissão. No entanto, a orientação da Secretaria de Estado de Saúde é antecipar a preparação, aproveitando o início do período chuvoso para ampliar as ações de combate aos focos do mosquito.

Entre as medidas previstas estão a capacitação de profissionais de saúde, a mobilização das administrações municipais e o emprego de tecnologias para identificar e eliminar criadouros. A estratégia também envolve a preparação dos serviços de atendimento para reconhecer rapidamente os casos que apresentam sinais de agravamento e garantir o tratamento adequado.

“Estamos em outubro e sabemos que as arboviroses vêm fortemente em fevereiro e março, mas é agora que começa a preparação, com o início do período chuvoso. Nossa expectativa é sempre trabalhar para que o próximo ano não seja tão difícil”, afirmou Baccheretti.

O secretário também ressaltou que o combate ao mosquito depende da participação da população. Segundo ele, entre 80% e 85% dos criadouros estariam localizados dentro das residências, o que reforça a necessidade de verificar quintais, calhas, caixas-d’água, vasos de plantas e outros recipientes que possam acumular água parada.

“Precisamos entender que os criadouros do mosquito estão dentro das nossas casas em 80% a 85% das vezes. Por isso, o papel individual e coletivo na preparação é fundamental para evitar esses focos”, destacou.

Além da prevenção, o governo estadual chamou a atenção para a importância de reconhecer os sinais de alerta da dengue e procurar atendimento de saúde quando necessário. A identificação precoce dos quadros que podem evoluir para formas graves é considerada fundamental para reduzir o risco de mortes.

“Consideramos que a morte por dengue é uma morte evitável, e não podemos aceitar isso como algo natural. Temos que fazer a nossa parte, reconhecer os sinais de alarme e tratar os pacientes conforme os protocolos específicos”, disse o secretário.

Drones ajudam a localizar possíveis criadouros

Uma das estratégias utilizadas pelo governo de Minas Gerais para intensificar o combate ao Aedes aegypti é a Política VigiDrones, iniciativa que utiliza equipamentos aéreos para monitorar áreas urbanas e identificar locais com potencial para a proliferação do mosquito.

De acordo com as informações apresentadas pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), a política recebeu aproximadamente R$ 30,5 milhões para a contratação de serviços de geomonitoramento por drones. A tecnologia permite mapear áreas extensas e localizar possíveis criadouros, inclusive em pontos de difícil acesso para as equipes de campo.

Em maio de 2026, após a conclusão do segundo ciclo de monitoramento, os sobrevoos já haviam alcançado aproximadamente 497 mil hectares de áreas urbanas mapeadas. Nesse trabalho, foram identificados mais de 334 mil pontos de interesse.

O objetivo é direcionar as ações de controle para locais com maior concentração de possíveis focos, permitindo que os agentes de endemias e as equipes municipais planejem intervenções de maneira mais precisa.

“Os drones são os olhos do agente de endemias em locais onde o olhar humano não consegue chegar. Eles ajudam a identificar os pontos de maior proliferação para que o município atue naquele bairro ou naquela região específica”, explicou Baccheretti.

Os equipamentos também podem auxiliar na aplicação de larvicidas em locais de difícil acesso, como caixas-d’água elevadas, desde que as condições permitam a operação.

Outra ferramenta mencionada pelo governo são as ovitrampas, armadilhas utilizadas para monitorar a presença do mosquito e contribuir para a identificação de áreas que exigem maior atenção. A estratégia é complementada por atividades de conscientização conduzidas por agentes de endemias em escolas e outros espaços.


Prevenção deve começar antes do período de maior transmissão

Com a possibilidade de aumento das arboviroses em 2027, a orientação é que as medidas de prevenção sejam intensificadas antes da chegada dos meses de maior incidência. A eliminação de recipientes com água parada, a manutenção de reservatórios devidamente tampados e a atenção aos espaços que podem servir de criadouro continuam entre os cuidados essenciais.

Embora as condições climáticas possam influenciar a proliferação do mosquito, a ocorrência de uma epidemia não é determinada exclusivamente pelo El Niño. A circulação dos vírus, a presença do vetor e a capacidade de resposta dos serviços de saúde também interferem no cenário epidemiológico.

O alerta apresentado pelo governo estadual busca mobilizar municípios e moradores para reduzir os focos do mosquito e preparar a rede de atendimento. A expectativa é que o trabalho antecipado ajude a diminuir os impactos de uma possível elevação dos casos no próximo período sazonal.

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