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Livro de Helena Taliberti transforma luto pela tragédia-crime de Brumadinho em memória e reflexão

Foto do escritor: Talles Costa
Talles Costa
há 3 minutos
2 min de leitura
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A economista Helena Taliberti apresentou, na noite desta terça-feira (20), em Belo Horizonte, o livro “Tentam nos enterrar, não sabem que somos sementes”, obra em que compartilha a experiência de perder os dois filhos, Camila e Luiz Taliberti, e a nora, Fernanda, grávida de seu primeiro neto, na tragédia-crime de Brumadinho. O encontro gratuito foi realizado na Livraria Quixote, na Savassi, e reuniu reflexões sobre luto, mineração, meio ambiente e a importância de preservar a memória das vítimas.

A atividade integrou o projeto Encontros Singulares, iniciativa que promove debates sobre temas da sociedade contemporânea a partir da literatura e de perspectivas femininas. A conversa teve mediação da jornalista Paola Carvalho e propôs um espaço de diálogo sobre como experiências pessoais de perda também podem contribuir para discussões coletivas sobre responsabilidade, memória e prevenção de novas tragédias.

Publicado pela Editora Ofício da Palavra, o livro reúne relatos autobiográficos de Helena sobre a morte dos filhos e da nora, vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho. Na ocasião, a família estava na cidade para conhecer o Instituto Inhotim e se hospedava em uma pousada atingida pela lama.

A publicação registra não apenas as lembranças dos familiares, mas também a dimensão cotidiana do sofrimento que permanece após uma perda dessa proporção. Em um dos trechos da obra, a autora descreve a dor como uma experiência que se renova a cada dia, marcada pela ausência e pela dificuldade de encontrar sentido diante da ruptura provocada pela morte.

“Na perda há uma dor ácida que vem com a ruptura, com o vazio, com a falta de sentido, com os fragmentos em que a vida se torna, com o acordar todos os dias e redescobrir a perda. É um naufrágio diário, em que a primeira respiração da manhã traz de novo o peso da água barrenta aos pulmões”, escreve Helena.

Ao transformar a experiência familiar em narrativa, a economista também amplia o debate para além da dimensão individual do luto. A obra aborda os impactos humanos da atividade minerária e reforça a importância de manter viva a memória das vítimas, em um contexto no qual a lembrança da tragédia-crime de Brumadinho segue ligada à cobrança por responsabilidade e à necessidade de impedir que acontecimentos semelhantes se repitam.

O livro conta com prefácios das jornalistas Cristina Serra e Daniela Arbex e da psicóloga Maria Helena Pereira Franco. O posfácio é assinado por Vagner Diniz, marido de Helena.

A apresentação em Belo Horizonte integrou uma iniciativa que utiliza a literatura como ponto de partida para discutir questões sociais e experiências humanas. No caso de Helena Taliberti, o relato de uma perda irreparável se conecta à história de Brumadinho e à importância de preservar as lembranças das vítimas, para que suas vidas não sejam reduzidas às circunstâncias em que morreram.


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