Justiça ouve mais três testemunhas no processo criminal da tragédia-crime de Brumadinho
- Guilherme Almeida

- 27 de fev.
- 2 min de leitura

O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) deu continuidade nesta sexta-feira (27) às audiências de instrução do processo criminal que apura as responsabilidades pelo rompimento da barragem B1 da Vale, no Córrego do Feijão, em Brumadinho. A partir das 13h, três testemunhas começaram a ser ouvidas: Nayara Cristina Dias Porto, Juliana Cardoso Silva Gomes e Josiana de Souza Resende. A tragédia, que completa sete anos em 2026, matou 272 pessoas e deixou marcas profundas na cidade, que agora acompanha cada passo da Justiça na esperança de ver os responsáveis devidamente punidos.
A fase de instrução e julgamento, iniciada na última segunda-feira (23), é dedicada à produção de provas e à oitiva de testemunhas de acusação e defesa. Na primeira audiência, foram ouvidas Kenya Paiva Silva Lamounier, Andressa Aparecida Rocha Rodrigues e Natália de Oliveira. Agora, com os novos depoimentos, a Justiça busca esclarecer eventuais falhas nos sistemas de segurança e possíveis condutas negligentes que possam ter contribuído para o colapso da estrutura.
O cronograma do TRF6 prevê a realização de 76 audiências até 17 de maio de 2027, sempre às segundas e sextas-feiras, na sede do tribunal, no bairro Santo Agostinho, em Belo Horizonte. Serão ouvidos familiares de vítimas, sobreviventes, peritos, bombeiros, engenheiros e testemunhas de defesa, num esforço para reconstituir os fatos que levaram à tragédia. Em seguida, estão previstas as oitivas de estrangeiros ou residentes no exterior, e o interrogatório dos réus está marcado para começar em 15 de março de 2027.
Figuram como réus na ação penal a Vale S.A., a multinacional alemã TÜV Süd e 16 ex-executivos vinculados às companhias. Eles respondem por homicídio e crimes ambientais. A TÜV Süd foi incluída no processo por ser controladora da subsidiária brasileira que atestou a estabilidade da Barragem B1 pouco antes do rompimento, um laudo que se revelou trágica e fatalmente equivocado.
Para os brumadinhenses, cada audiência representa um passo na longa caminhada por justiça. A cidade, que ainda convive com os impactos ambientais, sociais e psicológicos do desastre, acompanha com atenção os desdobramentos judiciais. As famílias das 272 vítimas esperam que, ao final do processo, a responsabilização seja não apenas formal, mas efetiva, e que a memória dos que se foram seja honrada com a punição dos culpados e a garantia de que tragédias como essa jamais se repitam.















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