Inhotim reforça papel de Jardim Botânico com expedição ao norte de MG para estudar espécies do Cerrado
- Moisés Oliveira

- há 2 horas
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Os moradores de Brumadinho que visitam o Inhotim e se encantam com a explosão de cores e formas dos jardins talvez não saibam que, por trás da beleza oferecida ao público, existe um trabalho contínuo e silencioso de pesquisa, cultivo e conservação de espécies. É esse trabalho, realizado longe dos olhos dos visitantes, que consolida o papel do Inhotim como Jardim Botânico, com foco na preservação da biodiversidade regional. Para os brumadinhenses, saber que o maior museu a céu aberto da América Latina também é um centro de produção científica e ambiental é mais um motivo de orgulho — e um convite a olhar os jardins com outros olhos: não apenas como obra de arte, mas como laboratório vivo.
Uma dessas ações foi realizada em março, quando integrantes do Laboratório de Pesquisa e Conservação do Inhotim participaram de uma expedição ao município de Grão Mogol, no norte de Minas Gerais. Durante a atividade, foram coletadas espécies destinadas a estudos em laboratório, onde são analisados aspectos como germinação, mecanismos de proteção e comportamento das plantas diante de possíveis mudanças climáticas. Os resultados dessas pesquisas contribuem para ampliar o conhecimento científico e auxiliam tanto o próprio Inhotim quanto outros pesquisadores no entendimento dessas espécies. Para a comunidade científica e para os amantes da natureza, cada descoberta é um passo importante na preservação do Cerrado.
As iniciativas fazem parte do projeto "Ser do Cerrado", desenvolvido em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O programa possibilita a realização de atividades voltadas à preservação ambiental, à produção científica e à educação sobre o bioma Cerrado. O projeto recebeu apoio por meio da Plataforma Semente, iniciativa do Ministério Público de Minas Gerais em parceria com o CeMAIS. Essa articulação entre instituições demonstra como a conservação ambiental pode ser potencializada quando diferentes setores — museus, universidades, ministério público e governo — trabalham juntos.
A escolha de Grão Mogol como destino da expedição não foi aleatória. A região norte de Minas Gerais é reconhecida por sua rica biodiversidade, abrigando espécies endêmicas do Cerrado que não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta. Coletar e estudar essas plantas em laboratório permite entender como elas se comportam diante de variações climáticas, como secas prolongadas ou mudanças de temperatura — informações vitais em um cenário de aquecimento global. Para o Inhotim, que mantém jardins com espécies de diferentes biomas, esse conhecimento ajuda a planejar o cultivo, a irrigação e a conservação das coleções.
Para os brumadinhenses, o trabalho de pesquisa do Inhotim tem um impacto direto na paisagem que veem todos os dias. Cada nova espécie estudada e preservada é uma garantia de que os jardins continuarão exuberantes para as próximas gerações. Além disso, o projeto "Ser do Cerrado" também envolve ações educativas, que podem chegar às escolas de Brumadinho e conscientizar crianças e jovens sobre a importância da preservação ambiental. O Inhotim é, portanto, muito mais que um museu: é um centro de ciência, educação e memória. E a pesquisa e conservação de plantas são os alicerces que sustentam esse papel estratégico em Brumadinho.















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