Dia Nacional de Combate ao Fumo expõe gravidade dos danos do cigarro e vape à saúde
- Talles Costa
- há 6 horas
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Nesta sexta-feira (29), o Dia Nacional de Combate ao Fumo revela um alerta que vai muito além dos danos pulmonares: o tabagismo é um acelerador brutal do envelhecimento cutâneo e um inimigo silencioso da saúde da pele. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) adverte que tanto o cigarro tradicional quanto os cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, provocam estragos profundos na aparência e na integridade da cútis, promovendo rugas precoces, manchas e até mesmo potencializando riscos de doenças mais graves. Para os brumadinhenses, que vivem em uma região de clima tropical com forte incidência solar, a combinação entre fumo e radiação ultravioleta representa uma ameaça dupla à pele, demandando cuidados redobrados e conscientização imediata.
A falsa percepção de que os vaporizadores são uma alternativa segura ao cigarro comum é duramente contestada pelos especialistas. De acordo com a SBD, os líquidos utilizados nos vapes carregam substâncias químicas agressivas que desencadeiam irritações, reações alérgicas, agravamento de acne e prejuízos ao processo de cicatrização. Sergio Palma, membro da diretoria da entidade, ressalta que o impacto dos dispositivos eletrônicos é sistêmico, atingindo também órgãos como os pulmões e afetando de forma particularmente severa o público mais jovem, seduzido pelas fragrâncias e designs atrativos.
Entre os efeitos mais visíveis do tabagismo na pele está a aceleração do envelhecimento extrínseco. A exposição contínua às toxinas do cigarro e do vape danifica as fibras de colágeno e elastina, resultando em perda de firmeza, elasticidade e surgimento de rugas profundas, especialmente no entorno dos lábios – marcas típicas do “fumante”. A pele torna-se opaca, áspera e com tonalidade amarelada, além de apresentar maior propensão ao melasma. Conforme explica a dermatogeriatra Marcelle Nogueira, coordenadora do Departamento de Geriatria da SBD, o fluxo sanguíneo cutâneo é reduzido, limitando a oxigenação e a nutrição dos tecidos, o que também enfraquece cabelos e unhas.
Um dos aspectos mais críticos abordados pelos dermatologistas é a relação indireta – porém perigosa – entre tabagismo e câncer de pele. Embora o fumo não seja causa direta da doença, ele compromete os mecanismos de defesa e reparação do DNA celular, intensificando os estragos provocados pelo sol. Em cidades como Brumadinho, onde a população está frequentemente exposta a altos índices de radiação UV, o tabagismo amplifica o risco de lesões pré-malignas e carcinoma. Carlos Barcaui, presidente da SBD, alerta que a pele já fragilizada pelo cigarro torna-se mais vulnerável aos raios solares e, ao mesmo tempo, mais difícil de ser examinada, já que o espessamento e as manchas podem mascarar sinais iniciais de câncer.
A SBD orienta uma mudança urgente de hábitos como principal estratégia de proteção: abandonar definitivamente o cigarro e o vape, adotar alimentação rica em antioxidantes, usar filtro solar diariamente, hidratar a pele com frequência e realizar consultas regulares com um dermatologista. Nesta data simbólica, a mensagem é clara: parar de fumar é também um ato de cuidado com a maior e mais visível barreira do corpo humano, a pele, e um passo decisivo para uma longevidade saudável – dentro e fora.
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