De quase 170 kg ao TOP 2 no fisiculturismo: a transformação de João Pedro ganha um novo capítulo
- Talles Costa

- há 14 horas
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Aos 22 anos, João Pedro chegou a pesar quase 170 quilos, carregando consigo não apenas os efeitos da obesidade severa, mas também uma rotina distante de qualquer prática esportiva. O cigarro, o consumo diário de bebida alcoólica, a alimentação desregrada e o sedentarismo faziam parte de seus dias. Oito anos depois, aos 30, o brumadinhense viveu uma cena que, durante muito tempo, poderia parecer improvável: subiu pela primeira vez a um palco de fisiculturismo, diante de jurados e público, e terminou sua estreia com o segundo lugar na categoria Classic Physique do Musclecontest Belo Horizonte, realizado no último domingo, 30 de agosto.
O resultado, embora represente uma conquista esportiva importante, ganha uma dimensão muito maior quando colocado diante da história que João precisou construir para chegar até ali. Entre o jovem que se aproximava dos 170 quilos e o atleta que entrou no palco com aproximadamente 90 quilos existe uma trajetória marcada por decisões difíceis, mudanças de hábitos, limitações físicas, períodos de dedicação, momentos de afastamento, recomeços e, principalmente, pela disposição de não aceitar que uma determinada fase da vida precisasse definir todas as outras.
A transformação começou em 2018, quando João decidiu mudar completamente sua rotina. A primeira grande batalha foi contra o peso. Mais de 70 quilos foram eliminados ao longo do processo, mas o emagrecimento representou apenas o começo de uma transformação que posteriormente alcançaria outras áreas de sua vida.
João nasceu com Artrite Reumatoide Juvenil no joelho direito e, ainda durante a infância, acabou afastado de atividades esportivas. As limitações físicas contribuíram para um histórico de sedentarismo e fizeram com que dificuldades de mobilidade, assimetrias e fraqueza nas pernas também passassem a fazer parte de sua realidade.
Por isso, quando a musculação entrou em sua rotina, o objetivo inicial não era competir. Era reconstruir o próprio corpo.
A academia surgiu como uma ferramenta para melhorar a condição física, recuperar capacidades e modificar uma aparência que durante anos havia sido motivo de incômodo. Com o tempo, entretanto, os treinos deixaram de ser apenas uma atividade para se transformar em parte da identidade de João.
Ele começou a correr, passou a se dedicar cada vez mais à musculação, ganhou massa muscular e descobriu novos limites para o próprio corpo. Vieram diferentes fases, algumas de maior disciplina e outras de afastamento, períodos em que os objetivos mudaram e momentos em que foi necessário começar novamente.
E foi justamente essa capacidade de recomeçar que acabou se tornando uma das principais marcas de sua trajetória.
A história de João Pedro não se resume a uma transformação física registrada em fotografias. Existe um longo caminho entre a imagem de um jovem de quase 170 quilos e a do atleta que recentemente subiu ao palco. Nesse intervalo, houve mudanças de alimentação, adaptação de rotina, treinamento, dificuldades e decisões que precisaram ser tomadas repetidamente.
É essa parte menos visível do processo que João decidiu compartilhar com outras pessoas.
Nas redes sociais, onde utiliza o nome donxoao, o brumadinhense passou a transformar sua experiência pessoal em conteúdo. A proposta não é apresentar apenas o resultado final, mas mostrar também o caminho percorrido até ele.
Treinos, alimentação, preparação, períodos de maior dedicação, momentos de desleixo, retomadas e mudanças de objetivos fazem parte do conteúdo. A intenção é mostrar que transformações reais raramente acontecem de maneira linear e que, por trás de um resultado que parece instantâneo para quem observa de fora, geralmente existem anos de trabalho.
Foi dentro dessa proposta que nasceu o projeto “De Bola a Body – da obesidade aos palcos do fisiculturismo”. O próprio nome sintetiza, de maneira descontraída, a dimensão da mudança vivida por João: de uma realidade marcada pelo excesso de peso e pelo sedentarismo para a preparação de um físico voltado à competição.
O projeto também representa uma tentativa de transformar uma experiência individual em uma mensagem capaz de alcançar outras pessoas que, por diferentes motivos, estejam insatisfeitas com o próprio momento de vida.
“Para mim, é um recomeço. É mostrar para todo mundo que é possível sair daquilo que tanto te incomoda. Não tenha medo de mudar”, afirma João.
A frase resume uma percepção construída ao longo dos anos. Para ele, mudar não significa necessariamente apagar o passado ou fingir que as dificuldades nunca existiram. Significa compreender que uma pessoa pode escolher novos caminhos mesmo depois de anos seguindo uma direção diferente.
Foi assim que, em 2026, surgiu um novo desafio.
Depois de anos de transformação, João decidiu levar a musculação para um nível que até então não fazia parte de seus planos: o fisiculturismo competitivo.
A decisão de competir significou assumir uma preparação ainda mais exigente. Treinamentos, alimentação e acompanhamento passaram a fazer parte de uma rotina estruturada para que o corpo pudesse chegar ao palco nas condições necessárias.
Quanto mais a competição se aproximava, maior também se tornava a exigência. A preparação para uma competição de fisiculturismo envolve abrir mão de hábitos, organizar horários, controlar alimentação e manter disciplina mesmo nos dias em que a motivação pode não estar presente.
Para alguém que já havia vivido uma transformação tão profunda, entretanto, o desafio representava mais do que construir um físico competitivo. Era também uma oportunidade de testar até onde poderia chegar.
No dia 30 de agosto, veio a resposta.
João subiu ao palco do Musclecontest Belo Horizonte para disputar sua primeira competição na categoria Classic Physique. Diante dos avaliadores, apresentou o resultado de meses de preparação e, ao final, deixou o palco com o segundo lugar.
A estreia entre os dois primeiros colocados transformou aquele momento em um marco da trajetória.
O pódio, por si só, já seria motivo de comemoração para qualquer atleta que estivesse disputando sua primeira competição. No caso de João, porém, a conquista carrega um significado particular porque representa o ponto mais recente de uma transformação que começou muito antes de existir qualquer intenção de competir.
Aos 22 anos, ele estava próximo dos 170 quilos. Aos 30, voltou a um palco completamente diferente daquele que poderia ter imaginado anos atrás, agora como atleta, com aproximadamente 90 quilos e preparado para disputar uma competição de fisiculturismo.
São cerca de oito anos entre esses dois momentos.
O número de quilos perdidos chama atenção, mas talvez não seja a principal medida da transformação. Nesse período, João precisou reconstruir sua relação com o próprio corpo, desenvolver capacidades físicas que antes eram limitadas e aprender que uma mudança significativa não acontece de uma vez.
A balança mudou. O corpo mudou. A rotina mudou. Os objetivos mudaram. E João também mudou.
O segundo lugar conquistado no Musclecontest, portanto, não representa apenas uma classificação. É o registro de uma trajetória que passou por diferentes versões de uma mesma pessoa até chegar ao atleta que hoje pretende continuar evoluindo.
Para o brumadinhense, a competição não encerrou o processo. Pelo contrário.
A primeira experiência serviu para mostrar que o palco pode se tornar parte permanente de sua vida.
“O fisiculturismo mudou a minha vida. E essa não será a última vez que vou competir. Já estou organizando os próximos passos para conseguir apresentar, a cada competição, um físico ainda melhor”, conta.
A partir de agora, João pretende utilizar tudo o que aprendeu durante a primeira preparação para buscar evolução nas próximas competições. A experiência de enfrentar o palco pela primeira vez também deve servir como aprendizado para aprimorar treinamento, preparação e apresentação.
Mas existe outro objetivo que permanece tão importante quanto a evolução esportiva: continuar mostrando o processo.
Ao compartilhar sua história nas redes sociais, João procura alcançar principalmente quem olha para a própria vida e acredita que já foi longe demais para mudar.
Sua trajetória mostra justamente o contrário. O jovem que chegou aos 170 quilos não desapareceu. Ele faz parte da história que tornou possível o atleta que hoje sobe ao palco. Os erros, os períodos de falta de disciplina, as dificuldades físicas, as retomadas e até os momentos em que os objetivos foram deixados de lado também compõem o caminho.
É por isso que João não apresenta sua transformação como uma fórmula pronta. Não existe, em sua história, a ideia de que todas as pessoas precisam emagrecer, ganhar músculos ou competir. O que existe é a demonstração de que uma pessoa pode olhar para uma realidade que a incomoda e decidir construir outra.
O palco foi apenas o destino mais recente de uma caminhada que começou muito antes.
Para quem acompanha sua trajetória a partir de Brumadinho, a história também representa uma conquista que ultrapassa o ambiente esportivo. É a história de alguém da cidade que transformou uma dificuldade pessoal em motivação, encontrou na atividade física uma nova possibilidade de vida e agora começa a construir seu espaço dentro de um esporte que exige disciplina, constância e preparação.
O segundo lugar na estreia certamente ficará registrado como uma das principais conquistas de João Pedro. Mas, olhando para toda a trajetória, talvez o resultado mais importante tenha acontecido anos antes, quando ele decidiu que não precisava permanecer preso àquela versão de si mesmo.
Da obesidade aos palcos, foram mais de 70 quilos perdidos, mas também foram anos de reconstrução. Agora, aos 30 anos, João sabe que ainda há muito a conquistar. O primeiro troféu pode ter chegado, mas a jornada está longe de terminar. Outros palcos virão, novos objetivos serão estabelecidos e novas versões do atleta deverão surgir.
E, enquanto continua treinando para melhorar seu desempenho, João também pretende continuar contando a história que o trouxe até aqui.
Uma história que começou com uma decisão simples, mas difícil: mudar. E que hoje pode ser resumida em uma mensagem que ele escolheu levar consigo durante toda essa trajetória: “Não tenha medo de mudar.”














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