Curta-metragem contará a trajetória de Paulo Viotti, referência artística de Brumadinho
- Talles Costa

- há 6 dias
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Brumadinho inicia, neste primeiro semestre de 2026, um movimento de resgate profundo da própria identidade cultural com o início das gravações do documentário 'Paulo Viotti: Arte e Vida em Brumadinho', curta-metragem que pretende eternizar a trajetória de Vicente de Paula Viotti, artista múltiplo que marcou gerações com poesia, música, pintura e, sobretudo, com a crença de que a arte deve ser um direito coletivo e acessível a todos.
O filme propõe uma viagem sensível pela vida e pelo legado de um dos maiores nomes da cultura popular do município, reconhecido não apenas por sua vasta produção artística, mas por sua atuação direta na formação de pessoas e no fortalecimento da cena cultural local. Trovador premiado, escritor, compositor, pintor, esperantista e incentivador incansável das artes, Paulo Viotti construiu, ao longo de décadas, uma relação profunda com Brumadinho, ajudando a moldar a identidade cultural da cidade.
Grande parte dessa história passa pela casa de Viotti, no bairro São Conrado, que se transformou em espaço aberto de formação artística. Ali, crianças, jovens, adultos e idosos encontraram portas abertas para aulas de desenho, pintura, música e literatura, em um tempo em que o acesso à cultura ainda era restrito para muitos. Mais do que ensinar técnicas, Viotti estimulava o olhar sensível, a liberdade criativa e o encontro entre pessoas, valores que se tornaram marcas permanentes de sua atuação.
Esse espírito se consolidou com a criação do INCINE – Instituto Nacional de Cultura e Esperanto, idealizado como um espaço livre de criação e convivência artística. Até o fim de sua vida, o instituto promoveu oficinas, exposições, encontros culturais e atividades formativas, mantendo viva a ideia de que a cultura se constrói coletivamente, a partir do território e das relações humanas.
O documentário reúne entrevistas com familiares, amigos, ex-alunos e artistas que conviveram com Viotti, além de imagens de arquivo, fotografias de suas obras, registros de eventos culturais e cenas atuais dos lugares que marcaram sua trajetória. Entre eles estão o bairro São Conrado, a Praça da Paz e áreas rurais como Rio Manso, Ferteco e Tejuco, paisagens que ajudaram a moldar seu imaginário poético e artístico.
A direção do projeto é assinada pelo cineasta John Lennon Moreira Campos, da CinemUai Produtora, reconhecido por trabalhos audiovisuais que valorizam memória, identidade e sensibilidade social. A produção conta ainda com a participação direta de Paola Viotti Flores, educadora e filha caçula do artista, que atua como parceira fundamental na construção do roteiro e na preservação da essência do pai. Para ela, o documentário nasce do compromisso de compartilhar um legado que não pertence apenas à família, mas à cidade. Segundo Paola, Paulo Viotti “tinha o poder de fazer florescer no asfalto” e continua presente na vida das pessoas mesmo após treze anos de sua partida.
O projeto também carrega um forte caráter social e educativo. A equipe de John Lennon contará com a participação de alunos da APAE em etapas da produção, ampliando o alcance formativo do documentário e reforçando o compromisso com inclusão e diversidade, valores que dialogam diretamente com a história de Viotti.
A iniciativa é realizada pela Cinemuai Produtora, com recursos da Lei Aldir Blanc, e conta com apoio da Prefeitura de Brumadinho, por meio da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura. Os trabalhos já estão em andamento, com a organização de acervos, seleção de documentos, fotos e vídeos, além de pesquisas de cenário e escuta de pessoas que conviveram com o artista. Para John Lennon, “dirigir a história de Paulo Viotti é transformar memória em imagem viva, é fazer com que a arte que ele espalhou por Brumadinho continue florescendo nas telas e nas pessoas.”
Mais do que registrar uma biografia, 'Paulo Viotti: Arte e Vida em Brumadinho' se propõe a reafirmar o papel da cultura como elo comunitário e ferramenta de transformação social. Em uma cidade marcada por profundas mudanças nas últimas décadas, o filme surge como gesto de memória, resistência e valorização da arte enraizada no território, lembrando que histórias locais também constroem o futuro coletivo.
A expectativa é que o curta-metragem seja finalizado e exibido ainda no primeiro semestre de 2026, oferecendo aos brumadinhenses e ao público em geral a oportunidade de reencontrar, através do cinema, um artista que fez da vida um ato permanente de criação, generosidade e amor pela cidade onde escolheu viver e semear cultura.


















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Que felicidade ver que o amor dura além da vida! Obrigada por tanto!