Cocaína, maconha e anfetaminas: veja quais substâncias levam à reprovação no teste da CNH
- Guilherme Almeida

- há 12 horas
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Quem pretende tirar a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A ou B, para conduzir motos e carros, precisa se atentar a uma nova exigência que já está em vigor desde dezembro de 2025. O exame toxicológico de larga janela, antes obrigatório apenas para motoristas profissionais das categorias C, D e E, agora é requisito também para candidatos à primeira habilitação . Diferentemente dos exames de sangue ou urina, que identificam uso recente de drogas, o toxicológico analisa cabelo, pelos ou unhas e é capaz de detectar o consumo de substâncias psicoativas em um período retrospectivo mínimo de 90 dias, podendo chegar a 180 dias . Para os brumadinhenses que estão dando entrada no processo de habilitação, entender o que pode levar à reprovação é o primeiro passo para evitar surpresas.
O exame é organizado por classes de substâncias e qualquer detecção, independentemente da quantidade ou frequência de uso, resulta em laudo positivo e impede a obtenção da CNH . Entre as substâncias pesquisadas estão as anfetaminas, grupo que inclui o chamado "rebite", muito usado por motoristas profissionais em viagens longas, além de ecstasy (MDMA) e "bolinha" . Os canabinoides, como maconha, haxixe e skunk, também são detectados com alta sensibilidade — mesmo o uso recreativo ocasional pode aparecer no teste se ocorreu dentro da janela de 90 dias . O sistema ainda identifica opiáceos e opioides, como morfina, heroína, ópio bruto e oxicodona, além da cocaína e seus derivados, como crack e bazuca .
Levantamentos da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) realizados entre 2021 e 2025 com motoristas das categorias profissionais mostram que a cocaína é a substância mais frequente nos exames positivos, respondendo por cerca de 87% das detecções . Especialistas explicam que esse número não significa necessariamente que seja a droga mais consumida, mas sim que seus metabólitos — como benzoilecgonina, norcocaína e cocaetileno — permanecem impregnados no cabelo por longos períodos e geram múltiplos marcadores . As anfetaminas aparecem em seguida, com 4% das detecções, e a maconha, com 2% .
Um ponto de atenção importante para os candidatos é o medicamento mazindol, usado no tratamento da obesidade por sua ação estimulante. Por ser estruturalmente relacionado às anfetaminas, ele integra a lista de substâncias monitoradas pelo Contran e pode levar à reprovação, mesmo quando utilizado com prescrição médica . A orientação dos laboratórios é que o paciente declare o uso no momento da coleta e apresente a receita, mas ainda assim há grande chance de o resultado ser considerado positivo, já que a substância está listada entre as proibidas .
Muitos candidatos ainda acreditam em mitos sobre como burlar o exame. Raspar o cabelo não adianta: na ausência de fios na cabeça, o laboratório coleta pelos corporais ou, em último caso, fragmentos de unha, mediante laudo dermatológico que comprove alopecia . Também não é possível "limpar" o organismo com dietas, chás ou ingestão excessiva de água, pois a detecção não ocorre no sangue ou na urina, mas sim na queratina dos fios, que armazena os vestígios químicos por meses . O álcool, vale destacar, não é pesquisado neste exame específico .
Para os moradores de Brumadinho, a boa notícia é que já existem postos de coleta credenciados na própria cidade. O Lustosa, laboratório credenciado junto à Senatran, realiza o exame toxicológico para CNH em sua unidade localizada na Praça Alves Moreira, 57, loja 01, no Centro, com coleta disponível das 8h às 16h . O preço médio do exame gira em torno de R$ 170,00 e o resultado sai em até 10 dias úteis, com validade de 90 dias após a coleta . A nova lei, publicada no Diário Oficial da União em 10 de dezembro de 2025, também autoriza clínicas de aptidão física e mental a atuarem como postos de coleta, o que deve ampliar ainda mais a oferta do serviço nos próximos meses .
Com a mudança, a estimativa é que entre 1,3 milhão e 2 milhões de novos exames sejam realizados em 2026 apenas com os candidatos à primeira habilitação . Para os brumadinhenses que sonham em dirigir, a mensagem é clara: o exame toxicológico não é uma formalidade, mas uma ferramenta de segurança viária que veio para ficar. Mais do que evitar a reprovação, trata-se de compreender que dirigir sob efeito de substâncias psicoativas coloca em risco não apenas a própria vida, mas a de todos que compartilham as vias da cidade.


















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