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Buscas da tragédia-crime chegam ao fim após sete anos, com duas vítimas ainda não encontradas

  • Foto do escritor: Talles Costa
    Talles Costa
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Foto: Redes Sociais
Foto: Redes Sociais

Após sete anos marcados por dor, espera e resistência, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais anunciou o encerramento das buscas por vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, uma das maiores tragédias socioambientais da história do Brasil, que deixou 272 mortos e transformou de forma definitiva a vida do município e de toda a bacia do Rio Paraopeba. A decisão ocorre após a vistoria integral de todo o volume de rejeitos despejados pela lama, encerrando a fase operacional da maior ação de resgate já realizada no país, ainda que duas vítimas sigam desaparecidas.

Foram 2.558 dias de trabalho ininterrupto desde 25 de janeiro de 2019, com mais de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos analisados, 268 corpos localizados e identificados e uma mobilização que envolveu cerca de 5 mil militares de Minas Gerais, além do apoio de corporações de outros estados. Ao longo da operação, os bombeiros utilizaram 31 aeronaves, somaram mais de 1.600 horas de voo, empregaram ao menos 68 cães de busca e contaram com o apoio de aproximadamente 120 máquinas, em um esforço contínuo que marcou profundamente a corporação e a população de Brumadinho.

Segundo o Corpo de Bombeiros, todo o material atingido pela lama foi examinado, o que tecnicamente encerra a fase de buscas em campo. A previsão é que os equipamentos ainda instalados na área sejam recolhidos até a primeira quinzena de fevereiro, enquanto a operação passa a seguir apenas em caráter administrativo. Paralelamente, a Polícia Civil continua responsável pela análise e identificação de segmentos humanos ainda pendentes, mantendo ativa a etapa pericial do processo, mesmo após o fim das escavações.

O encerramento das buscas ocorre às vésperas do marco de sete anos da tragédia, mantendo em aberto a dor de duas famílias que ainda não puderam sepultar seus entes queridos: o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo. Nathália tinha 25 anos, estava havia apenas quatro meses na Vale e foi surpreendida pela lama durante o horário de almoço. Mãe de duas crianças pequenas, ela chegou a relatar por telefone a aproximação do rejeito momentos antes de desaparecer. Tiago, recém-formado, havia sido transferido para Brumadinho poucos dias antes do rompimento e deixou esposa e dois filhos, um deles com apenas oito meses de idade à época.

Para os brumadinhenses, o anúncio do fim das buscas mistura sentimentos de reconhecimento pelo esforço dos bombeiros e frustração pela ausência de respostas definitivas. Ao longo dos anos, as estratégias adotadas foram sendo modificadas conforme as condições do terreno e o avanço das tecnologias, passando de ações emergenciais focadas em resgate com vida para métodos altamente técnicos, como estações de peneiramento de rejeitos, implantadas a partir do fim de 2021. Ainda assim, o encerramento da operação sem a localização de todas as vítimas reforça, para muitas famílias, a sensação de incompletude e de impunidade.

Em declaração pública, o Corpo de Bombeiros destacou o sentimento de dever cumprido e agradeceu o acolhimento da população de Brumadinho ao longo dos anos. Para a corporação, a tragédia representou um divisor de águas, não apenas pela dimensão da operação, mas pelo impacto humano vivido diariamente por militares que conviveram com familiares, moradores e sobreviventes em meio à dor e à esperança.

Sete anos depois, Brumadinho segue convivendo com as marcas físicas, sociais e emocionais deixadas pela tragédia. O encerramento das buscas não encerra o luto coletivo, nem as cobranças por justiça, responsabilização e garantias de que crimes semelhantes não se repitam. Para o município, o fim da operação simboliza mais um capítulo de uma história que ainda exige memória, respeito às vítimas e compromisso permanente com a vida.

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