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Brumadinho tem 278 eleitores analfabetos, aponta levantamento com dados do TSE

Foto do escritor: Talles Costa
Talles Costa
há 20 horas
3 min de leitura
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

Brumadinho tem 278 eleitores registrados como analfabetos no cadastro eleitoral, segundo levantamento realizado pela equipe de dados de O TEMPO a partir das Estatísticas do Eleitorado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa uma parcela do eleitorado apto a votar no município, que soma 35.427 pessoas, sendo 30.610 com voto obrigatório e 4.817 com voto facultativo.

Os dados fazem parte de um levantamento que mostra a distribuição dos eleitores registrados com grau de instrução “analfabeto” nos 853 municípios de Minas Gerais. Em todo o Estado, são 637.785 pessoas nessa condição.

No caso de Brumadinho, os 278 eleitores analfabetos correspondem a uma parcela do eleitorado municipal. O levantamento também permite observar que a realidade local é diferente daquela encontrada em municípios que apresentam percentuais significativamente maiores, especialmente em regiões como o Norte de Minas, o Vale do Mucuri e o Jequitinhonha.



Em Belo Horizonte, por exemplo, estão registrados 25.829 eleitores analfabetos, o maior número absoluto entre os municípios mineiros. Apesar disso, o grupo representa apenas 1,32% do eleitorado da capital. Já em Brumadinho, a quantidade é muito menor em números absolutos, com 278 pessoas.

O levantamento demonstra que o número absoluto de eleitores analfabetos não é suficiente para compreender a dimensão do fenômeno em cada cidade. Municípios menores podem apresentar uma quantidade menor de pessoas nessa condição, mas uma proporção mais elevada em relação ao total de eleitores.

Em Minas Gerais, 137 municípios possuem pelo menos 10% do eleitorado registrado como analfabeto. Em 43 cidades, essa proporção chega a 15% ou mais, enquanto dez municípios ultrapassam a marca de 20%.

Ninheira, no Norte de Minas, apresenta o maior percentual, com 27,51% dos eleitores classificados como analfabetos. Na sequência aparecem Bertópolis, com 25,20%; Santo Antônio do Retiro, com 24,77%; e Fruta de Leite, com 24,55%.

O cenário também revela uma concentração regional. Nove dos dez municípios com os maiores percentuais estão localizados no Norte de Minas, no Vale do Mucuri ou no Jequitinhonha.

Entre as regiões mineiras, o Vale do Mucuri apresenta a maior proporção de eleitores analfabetos, com 12,4% do eleitorado, o equivalente a 38.907 pessoas. No Jequitinhonha, são 66.358, correspondentes a 11,7%. Já o Norte de Minas possui 124.114 eleitores nessa condição, ou 9,3% do eleitorado regional.

Brumadinho aparece, portanto, dentro de um cenário estadual marcado por grandes diferenças entre os municípios. Enquanto algumas cidades possuem mais de um quarto do eleitorado registrado como analfabeto, o município apresenta 278 eleitores nessa situação entre seus 35.427 eleitores aptos.

Os dados também mostram que o eleitorado analfabeto em Minas Gerais é predominantemente formado por pessoas mais velhas. Dos 637.785 eleitores registrados nessa condição, 49,7% têm 70 anos ou mais. Quando são incluídos os eleitores entre 60 e 69 anos, a participação chega a 72%.

Outro dado apresentado pelo levantamento é a predominância feminina: 53,2% dos eleitores analfabetos são mulheres, enquanto 46,7% são homens. Entre os eleitores de até 24 anos, esse grupo representa apenas 0,8% do total de pessoas classificadas como analfabetas.

A legislação eleitoral estabelece voto facultativo para pessoas analfabetas e para cidadãos com mais de 70 anos. Dessa forma, uma parcela expressiva desse grupo reúne duas condições que tornam o comparecimento às urnas uma escolha, e não uma obrigação.

Em Brumadinho, os dados chamam atenção principalmente por permitirem dimensionar uma realidade educacional que ainda está presente entre parte do eleitorado. Embora os 278 eleitores representem uma parcela relativamente pequena diante do total de 35.427 eleitores aptos, o número evidencia a existência de moradores que enfrentam limitações relacionadas à leitura e à escrita.

O levantamento também reforça a importância de observar os dados eleitorais para além das disputas políticas. O perfil de escolaridade registrado pelo TSE ajuda a revelar características sociais da população e permite identificar diferenças significativas entre os municípios mineiros.



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