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Atingidos organizam ato em BH para marcar sete anos do crime da Vale em Brumadinho

  • Foto do escritor: Moisés Oliveira
    Moisés Oliveira
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura
Foto: MAB/Divulgação
Foto: MAB/Divulgação

Sete anos após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, que matou 272 pessoas e transformou de forma irreversível a história de Brumadinho e de toda a bacia do rio Paraopeba, atingidos pela tragédia organizam uma grande mobilização em Belo Horizonte para cobrar avanços concretos na reparação dos danos, denunciar a lentidão do processo e reafirmar que a dor e as consequências do crime seguem presentes no cotidiano de milhares de famílias mineiras.

A manifestação está marcada para a próxima sexta-feira, 23 de janeiro, e deve reunir moradores de mais de 20 municípios impactados direta ou indiretamente pelo rompimento da barragem. O ato é organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e ocorre em um momento simbólico, às vésperas do aniversário de sete anos da tragédia, quando Brumadinho se prepara mais uma vez para homenagens às vítimas e reflexões sobre justiça, memória e prevenção.

Mesmo após quase uma década do rompimento, os organizadores do protesto afirmam que a reparação está longe de ser concluída. Na avaliação do movimento, apesar da divulgação recorrente por parte da mineradora Vale, de órgãos de Justiça e do Governo de Minas Gerais sobre o acordo firmado em 2021, a realidade vivida pelas comunidades atingidas ainda é marcada por perdas econômicas, insegurança social, impactos ambientais persistentes e dificuldades de reconstrução da vida cotidiana. Para muitos brumadinhenses, o acordo não tem sido capaz de responder à complexidade e à profundidade dos danos provocados pelo crime.

Entre as principais reivindicações levadas às ruas está a efetiva aplicação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB), considerada fundamental para garantir proteção social, reconhecimento formal dos atingidos e acesso a políticas públicas permanentes. O movimento também cobra a continuidade e a ampliação do Auxílio Emergencial, que vem sendo pago desde dezembro, mas é visto como insuficiente diante da dimensão das perdas acumuladas ao longo dos anos.

A mobilização tem como lema “É Tempo de Avançar por Reparação Integral e Soberania Popular!”, expressão que sintetiza o sentimento de parte significativa da população atingida, que cobra não apenas indenizações financeiras, mas também participação ativa nas decisões, transparência nos processos e respeito às comunidades que vivem nas áreas impactadas pelo desastre. Para Brumadinho, cidade que se tornou símbolo mundial de crimes socioambientais ligados à mineração, o ato representa mais um capítulo da luta por justiça e dignidade.

A programação do dia inclui uma série de atividades políticas e simbólicas ao longo da manhã e da tarde, com concentração inicial na Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, seguida de uma plenária para balanço do processo de reparação. Um dos momentos mais aguardados é a abertura da chamada Cápsula do Tempo das Crianças Atingidas, iniciativa que busca dar visibilidade às memórias, sentimentos e expectativas das novas gerações marcadas pela tragédia.

Após a plenária, os participantes seguem em atos e caminhadas por instituições-chave do sistema de Justiça, como o Ministério Público de Minas Gerais, a Defensoria Pública do Estado e o Ministério Público Federal, onde pretendem protocolar pautas, apresentar denúncias e cobrar respostas mais efetivas. O encerramento prevê ainda uma reunião com o juízo responsável pelo caso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, reforçando a estratégia de diálogo institucional aliada à pressão popular.

Para os moradores de Brumadinho e das cidades da bacia do Paraopeba, a manifestação reafirma que o rompimento da barragem não é um episódio do passado, mas uma ferida aberta que exige ações concretas no presente. Sete anos depois, a mobilização nas ruas de Belo Horizonte busca manter viva a memória das vítimas, fortalecer a luta coletiva e lembrar que a reparação integral ainda é uma dívida em aberto com o povo mineiro.

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