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Após sete anos, dragagem dos primeiros 3 km do Rio Paraopeba é concluída; remoção de rejeitos segue até 46 km

  • Foto do escritor: Moisés Oliveira
    Moisés Oliveira
  • há 23 horas
  • 3 min de leitura
Foto: Divulgação/Vale
Foto: Divulgação/Vale

Os moradores de Brumadinho que acompanham há anos os esforços de reparação ambiental do Rio Paraopeba receberam uma notícia significativa, ainda que o fim da jornada esteja distante. Foi finalizada a dragagem dos rejeitos do desastre-crime da Vale no chamado Trecho 1, que compreende os primeiros 3 quilômetros do rio a partir do ponto do rompimento. A operação foi concluída em março, e a previsão de encerramento completo deste trecho é em junho. A informação consta no Boletim Ambiental #3, que trata do Programa de Recuperação Socioambiental da Bacia do Rio Paraopeba (PRSABP), divulgado pelo Instituto Guaicuy. Para os brumadinhenses que viram o rio ser devastado pela lama em janeiro de 2019, cada passo na remoção dos rejeitos é um passo rumo à regeneração — ainda que lento e cheio de obstáculos burocráticos.



A dragagem é feita por partes, dividida em trechos que vão até o Trecho 4, que chega a 46 quilômetros do ponto inicial. A conclusão total da operação está prevista apenas para abril de 2029. Ou seja, ainda faltam cerca de três anos para que os rejeitos sejam completamente removidos nesse trecho. O Boletim Ambiental #3 traz os principais pontos discutidos em reunião mensal realizada em 6 de março, da qual participaram a AECOM (empresa auditora do PRSABP e dos Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico), as Instituições de Justiça (Ministério Público Federal, Ministério Público de Minas Gerais e Defensoria Pública de MG) e o Governo do Estado de Minas Gerais. O Instituto Guaicuy acompanha essas reuniões apenas na condição de ouvinte.

Um dos pontos mais delicados tratados na reunião foi o Projeto Conceitual da Reparação do Rio Paraopeba, elaborado pela Vale. O documento havia sido reprovado em janeiro pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que fez 117 determinações para que a mineradora revisasse o projeto. A Vale tinha até 16 de fevereiro para apresentar a versão corrigida, mas a empresa solicitou que o prazo fosse adiado para 27 de maio. Para os moradores de Brumadinho, a sucessão de prazos perdidos e pedidos de adiamento gera frustração e desconfiança. Afinal, o rio não pode esperar indefinidamente.

No âmbito das metas para o ano, foram protocolados no dia 3 de março documentos importantes: o Plano de Ações Reparatórias do Rio Paraopeba, o Programa de Ações Reparatórias para Calhas e Reservatórios (PRCR) e a Revisão do Programa de Gerenciamento de Áreas Inundadas (PGAI). Esses planos são parte do compromisso assumido pela Vale no Acordo Judicial de Reparação e devem orientar as próximas etapas de recuperação ambiental. A empresa auditora AECOM é responsável por apresentar o andamento das ações e projetos que a Vale tem a obrigação de realizar.

Para os brumadinhenses que moram às margens do Paraopeba ou que dependem do rio para atividades como pesca e lazer, a notícia da conclusão da dragagem dos primeiros 3 km é positiva, mas o cenário geral ainda é de alerta. A reprovação do Projeto Conceitual e o pedido de adiamento da Vale mostram que há divergências técnicas entre a mineradora e as autoridades ambientais. O Instituto Guaicuy segue monitorando o processo e divulgando as informações à população. A luta pela recuperação total do Rio Paraopeba — que banha Brumadinho e outras cidades da bacia — está longe do fim, mas cada boletim ambiental traz um pouco mais de transparência e prestação de contas. Que os próximos anos sejam de efetiva reparação, não de novos adiamentos.

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