Aedas inicia desmobilização de trabalhadores da Assessoria Técnica do Paraopeba
- Moisés Oliveira

- 20 de out. de 2025
- 2 min de leitura

A Aedas, entidade responsável pela Assessoria Técnica Independente (ATI) nas Regiões 1 e 2 da Bacia do Paraopeba, iniciou oficialmente o processo de desmobilização de seus trabalhadores mediante a emissão de avisos prévios de desligamento. A medida, confirmada através de nota pública da instituição, decorre diretamente da falta de recursos para manter as operações após meses de impasse com as Instituições de Justiça e a mineradora Vale. A entidade afirmou que, "sem perspectiva de recursos para garantia de continuidade, a Aedas foi condicionada a iniciar imediatamente a desmobilização dos trabalhadores do Projeto Paraopeba", marcando um ponto crítico na crise que se arrasta há meses.
O colapso financeiro que levou à decisão radical tem como origem a suspensão de repasses e a não liberação de valores complementares essenciais para a execução do plano de trabalho da assessoria técnica. A situação foi agravada por determinações judiciais que exigiram a devolução de parte dos recursos já utilizados na gestão do projeto, criando um cenário de insolvência operacional. Mesmo com a obtenção de uma liminar que suspendeu temporariamente o processo administrativo movido pelas Instituições de Justiça, a medida não foi suficiente para reverter a paralisia financeira que impede a manutenção das atividades.
A desmobilização em curso resulta na paralisação progressiva de serviços essenciais prestados pela assessoria técnica, incluindo o acompanhamento de demandas de saúde, processos de indenização, reassentamentos e o monitoramento ambiental na bacia do Paraopeba. A entidade alerta que a interrupção dessas atividades pode comprometer seriamente o cumprimento do Acordo Judicial de Reparação e romper o diálogo técnico estabelecido com as comunidades, deixando milhares de atingidos sem o suporte necessário para a defesa de seus direitos.
O processo de desligamento dos trabalhadores coincide com a proximidade de um crucial julgamento no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, marcado para 22 de outubro, que definirá qual turma será responsável por analisar o novo auxílio emergencial previsto na Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens. A decisão é considerada urgente pelos envolvidos e poderia influenciar diretamente a possibilidade de retomada das políticas de reparação, embora chegue em um momento de esvaziamento operacional da estrutura de assessoria técnica.
Entre os técnicos e colaboradores da Aedas, o clima é de frustração e esgotamento após meses de incertezas e batalhas por recursos. A percepção generalizada é de que a asfixia financeira e o consequente enfraquecimento da assessoria técnica fazem parte de um processo mais amplo de desgaste que se estende há vários meses. O início dos avisos prévios representa a materialização de um cenário temido desde o início dos impasses, marcando o que muitos consideram o princípio do desmonte da estrutura de suporte técnico às comunidades atingidas pelo rompimento da barragem.


















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