Água, esgoto e política: privatização da Copasa acende alerta em Brumadinho e coloca população no centro do debate
- Talles Costa

- 11 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A possível privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) voltou a ocupar o centro do debate político em Brumadinho e tem mobilizado moradores, lideranças comunitárias e representantes do poder público local. Em meio à tramitação final do projeto de lei na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que autoriza a venda ou redução da participação acionária do Estado na companhia, cresce a preocupação da população com o futuro do abastecimento de água e do esgotamento sanitário no município.
A discussão ganhou ainda mais força após declarações do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, que criticou duramente a condução do processo pelo governo estadual. Segundo ele, o governador Romeu Zema teria avançado com a proposta sem ouvir as prefeituras e sem considerar a realidade dos municípios atendidos pela estatal. Para a AMM, a ausência de diálogo institucional gera insegurança jurídica e desrespeita o papel dos municípios, que são os titulares dos serviços de saneamento.
Em Brumadinho, onde a Copasa é responsável pelo fornecimento de água, as queixas da população são antigas e recorrentes. Moradores relatam a cobrança de taxa de esgoto sem a efetiva prestação do serviço, além de episódios frequentes de água turva ou com aparência barrenta em diversos bairros. Soma-se a isso as constantes interrupções no abastecimento e obras que, segundo relatos, deixam buracos abertos nas vias públicas por vários dias, sem a devida recomposição do pavimento.
Esses problemas reforçam o receio de que uma eventual privatização possa agravar a situação, seja por aumento de tarifas (mesmo não ofertando o serviço), seja pela redução da capacidade de fiscalização do poder público local sobre um serviço considerado essencial. A preocupação é compartilhada por entidades civis e moradores, que acompanham com atenção os desdobramentos do projeto no Legislativo estadual.
Dentro desse contexto, a Câmara Municipal de Brumadinho passou a integrar de forma mais ativa o debate. Durante a 20ª Reunião Ordinária, o vereador Professor Márcio Guru apresentou o Requerimento nº 22/2025, solicitando que o Executivo Municipal realize um plebiscito popular para que a população possa se manifestar diretamente sobre a possível privatização da Copasa no município.
A proposta busca garantir que os brumadinhenses tenham voz em uma decisão que impacta diretamente a saúde pública, a qualidade de vida e o desenvolvimento da cidade. Para o parlamentar, a discussão ultrapassa divergências partidárias e exige transparência, informação e participação social. O plebiscito, segundo ele, é um instrumento legítimo da democracia direta, capaz de traduzir a vontade coletiva da população.
O vereador também lembrou que a Copasa atende atualmente cerca de 640 municípios mineiros, com altos índices de cobertura de água tratada e coleta de esgoto nas áreas urbanas. Ainda assim, destacou que números gerais não refletem, necessariamente, a realidade vivida em cada cidade, especialmente em Brumadinho, onde falhas no serviço são frequentemente apontadas pelos usuários.
A mobilização local acompanha um movimento mais amplo em Minas Gerais. Especialistas em direito público e saneamento alertam que decisões tomadas sem consulta prévia aos municípios podem resultar em questionamentos judiciais, ações nos tribunais de contas e dificuldades na adaptação dos contratos ao novo Marco Legal do Saneamento, que estabelece metas de universalização até 2033.
Enquanto o projeto avança na Assembleia Legislativa, o debate em Brumadinho se intensifica. Moradores, associações e representantes políticos defendem que qualquer mudança no controle da Copasa precisa considerar, acima de tudo, o interesse público e a realidade de quem depende diariamente do serviço. Para muitos, o momento é decisivo e exige cautela, diálogo e, sobretudo, respeito à população que será diretamente afetada pelas decisões tomadas em Belo Horizonte.


















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