Terceirizado da Vale morre prensado por manilha em área de recuperação ambiental em Brumadinho
- Moisés Oliveira

- há 10 horas
- 3 min de leitura

A morte de um trabalhador terceirizado durante a execução de serviços para a mineradora Vale, registrada na tarde de sábado (17), voltou a acender o alerta em Brumadinho sobre segurança laboral em áreas ainda marcadas pelo rompimento da barragem de 2019. O acidente ocorreu na região de Remanso 3, no antigo complexo de Córrego do Feijão, e vitimou Thairone Nogueira Santos, que não resistiu aos ferimentos após ser prensado por uma manilha enquanto trabalhava, falecendo a caminho do Hospital Regional. O episódio acontece em um momento simbólico para a cidade, às vésperas do marco de sete anos da tragédia que transformou definitivamente a vida de centenas de famílias brumadinhenses.
De acordo com informações apuradas, Thairone atuava em uma área onde ainda são desenvolvidas atividades ligadas à recuperação ambiental e a outros serviços decorrentes do rompimento da barragem. O fato de o acidente ter ocorrido em um território diretamente impactado pela tragédia torna o caso ainda mais sensível para a população local, que convive diariamente com lembranças, perdas e a expectativa permanente de que a segurança seja prioridade máxima em qualquer intervenção realizada na região.
O trabalhador era funcionário da Construtora Pontal, empresa com sede em Brumadinho contratada pela Vale para a execução dos serviços. Em nota, a empresa informou que Thairone possuía as certificações e capacitações exigidas para a função que exercia e que utilizava corretamente os Equipamentos de Proteção Individual no momento do acidente. A construtora também declarou que está prestando toda a assistência necessária à família, além de colaborar com as autoridades responsáveis pela apuração dos fatos.
Ainda segundo a Pontal, o falecimento do trabalhador causou grande comoção entre colegas e profissionais que atuam na região. A empresa manifestou pesar pela perda e afirmou que acompanha de perto as investigações, respeitando o processo legal e a dor dos familiares e amigos da vítima.
A Vale também se pronunciou oficialmente, lamentando a morte do trabalhador terceirizado e informando que acompanha as medidas adotadas pela empresa contratada para dar suporte à família. A mineradora afirmou ainda que iniciou procedimentos internos para apurar as circunstâncias do acidente, com o objetivo de colaborar com os órgãos competentes e esclarecer completamente o ocorrido.
Além das manifestações das empresas envolvidas, a Superintendência Regional do Trabalho confirmou que está ciente do caso e que irá adotar todas as providências cabíveis para apurar as causas da morte. A investigação deve incluir a análise das condições do local, o cumprimento das normas de segurança, o uso de EPIs e a dinâmica da atividade que estava sendo realizada no momento do acidente. O superintendente regional do Trabalho, Carlos Calazans, lamentou a perda e destacou a importância do rigor absoluto no cumprimento das normas de segurança, especialmente em ambientes que apresentam riscos elevados.
Para os brumadinhenses, o caso reforça um sentimento recorrente de preocupação. Mesmo passados quase sete anos do rompimento da barragem, a cidade ainda convive com atividades intensas em áreas sensíveis, onde a memória da tragédia permanece viva. Moradores, trabalhadores e familiares das vítimas seguem atentos à necessidade de prevenção, fiscalização e respeito à vida de quem atua nesses espaços.
A morte de Thairone Nogueira Santos ocorre exatamente a uma semana do aniversário do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, data marcada por homenagens, reflexões e cobranças por justiça e segurança. Enquanto as investigações seguem em andamento, Brumadinho volta a se deparar com a dor de mais uma vida perdida no território que simboliza uma das maiores tragédias socioambientais do país, reforçando o debate sobre responsabilidade, proteção ao trabalhador e a urgência de evitar que novos acidentes se repitam.


















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