SUS pode implementar rastreamento organizado para câncer colorretal em pessoas de 50 a 75 anos
- Guilherme Almeida
- há 7 horas
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O Sistema Único de Saúde (SUS) pode passar a contar com um programa organizado de rastreamento do câncer colorretal, que atinge o intestino grosso e o reto e está entre os tipos mais letais no país. Uma diretriz elaborada por especialistas já recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e agora passará por consulta pública antes da decisão final. Se aprovada, a medida estabelecerá que todas as pessoas entre 50 e 75 anos, sem fatores de risco, realizem o teste imunoquímico para identificação de sangue oculto nas fezes a cada dois anos, com encaminhamento para colonoscopia em caso de resultado positivo. Para os moradores de Brumadinho, a iniciativa representa um avanço significativo na prevenção de um câncer que, quando detectado em estágio inicial, tem altas chances de cura.
O rastreamento organizado difere da demanda espontânea atual, em que os exames são realizados de forma irregular e muitas vezes apenas quando os sintomas já estão presentes. De acordo com o epidemiologista do Instituto Nacional do Câncer (Inca) Arn Migowski, que integra o grupo de trabalho, apesar de os exames já terem eficácia comprovada para reduzir a mortalidade, sua realização ainda é incipiente tanto na rede pública quanto na privada. "Ao contrário de doenças como o câncer de próstata ou de mama, que detectamos a doença já instalada, no caso do colorretal podemos identificar lesões pré-cancerosas, diminuindo não só a mortalidade, mas também o número de novos casos", explica.
O câncer colorretal apresenta uma das curvas de crescimento mais acentuadas no Brasil. Estudo coordenado por Migowski estimou um aumento de quase três vezes no número de mortes pela doença até 2030. A principal razão para essa alta letalidade é que a maioria dos pacientes só descobre o tumor em estágios avançados, justamente o que o rastreamento organizado busca evitar. A detecção precoce permite que lesões como pólipos adenomatosos – pequenas protuberâncias no intestino – sejam removidas durante a colonoscopia antes que evoluam para o câncer.
A presidente da Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro, Renata Fróes, recomenda que todas as pessoas já realizem a colonoscopia a partir dos 45 anos, especialmente aquelas com histórico familiar ou outros fatores de risco. A médica ressalta que o câncer colorretal não costuma apresentar sintomas no início. "O sangramento pode ocorrer, mas não é visível a olho nu. É esse sangue oculto que o exame imunoquímico identifica", explica. Quando surgem sintomas como emagrecimento, dor abdominal persistente, mudança no hábito intestinal ou fezes em formato de fita, a doença pode já estar em estágio mais avançado.
A implementação do programa no SUS deverá ocorrer de forma escalonada, começando por algumas regiões e expandindo progressivamente, para que a rede consiga absorver a nova demanda sem deixar de priorizar pacientes com sintomas que necessitam de atendimento rápido. O planejamento inclui desde a convocação ativa das pessoas na faixa etária até o seguimento dos resultados, encaminhamento para colonoscopia, atendimento especializado e reconvocação periódica para novos exames.
Para Brumadinho, a consolidação de um programa de rastreamento no SUS pode significar mais acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce. Neste mês, dedicado à campanha Março Azul de conscientização sobre o câncer colorretal, a expectativa é que a consulta pública avance e que a diretriz seja incorporada ainda este ano, ampliando as ferramentas de cuidado à saúde da população.












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