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Nova regra libera doação de sangue para maiores de 70 anos em boas condições de saúde

Foto do escritor: Talles Costa
Talles Costa
há 6 minutos
4 min de leitura
Foto: FIOCRUZ
Foto: FIOCRUZ

Pessoas com 70 anos ou mais que estejam em boas condições de saúde podem doar sangue no Brasil, desde que sejam consideradas aptas na avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia. A mudança foi estabelecida pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, do Ministério da Saúde, publicada em julho e com vigência a partir desta quarta-feira (30). A atualização também altera prazos de impedimento para doação após determinados procedimentos estéticos e exposições a riscos de infecção, além de estabelecer medidas para reforçar a segurança das transfusões. Para os moradores de Brumadinho interessados em doar, uma das opções na região é a unidade da Fundação Hemominas em Betim.

Com a nova regulamentação, pessoas com mais de 70 anos deixam de ser impedidas de doar sangue apenas em razão da idade. Para isso, precisam passar pela avaliação clínica e atender aos critérios de aptidão, além de respeitar os intervalos e a frequência de doações estabelecidos para essa faixa etária.

Segundo o Ministério da Saúde, a atualização busca adequar os procedimentos de hemoterapia aos avanços laboratoriais e ao cenário epidemiológico atual. As regras também reforçam a segurança dos doadores e dos pacientes que recebem transfusões, além de aprimorar o acompanhamento e a identificação dos componentes sanguíneos.

O secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales, destacou que as mudanças ampliam as possibilidades de doação sem abrir mão dos cuidados necessários. A pasta incentiva a população a procurar os serviços de hemoterapia, onde cada candidato passa por uma triagem antes de ser autorizado a doar.

Outra alteração envolve pessoas que realizaram determinados procedimentos estéticos, como tatuagem, maquiagem definitiva, preenchimentos, aplicação de botox e outros procedimentos com microagulhamento. Conforme as novas regras, a doação poderá ocorrer após sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em estabelecimento que cumpra as normas de segurança. Quando não for possível confirmar essas condições, o prazo de impedimento será de quatro meses.

No caso de piercing na boca ou na região genital, a doação poderá ser feita quatro meses após a retirada do acessório. Os prazos e as condições devem ser confirmados com o serviço de hemoterapia durante a triagem, pois a aptidão depende da análise individual de cada candidato.

A regulamentação também prevê mudanças nos procedimentos de segurança utilizados para identificar possíveis infecções transmissíveis pelo sangue. O Ministério da Saúde destaca a ampliação da testagem molecular para malária por meio do teste NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O teste, que já era utilizado para detectar HIV e os vírus das hepatites B e C, passa a identificar também o parasita causador da malária. Com a mudança, o período de impedimento para pessoas que viajaram para municípios de áreas endêmicas ou tiveram exposição em regiões de mata, bosque ou floresta passa a ser de 30 dias, conforme as condições previstas na regulamentação. Anteriormente, esse prazo poderia chegar a 12 meses.

O Brasil também adotou o padrão internacional ISBT 128 para a identificação de bolsas de sangue e amostras. O sistema permite reforçar a rastreabilidade dos componentes sanguíneos em todas as etapas, desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a produção de medicamentos. A medida busca reduzir a possibilidade de erros de identificação e facilitar o acompanhamento dos materiais utilizados nos procedimentos.

Outra mudança está relacionada às plaquetas, componentes do sangue importantes no tratamento de pacientes com diferentes condições clínicas. O prazo de validade do concentrado de plaquetas poderá passar de cinco para sete dias, desde que sejam cumpridas as medidas de controle de qualidade exigidas. A ampliação pode reduzir perdas e aumentar a disponibilidade desse componente, utilizado, entre outros casos, no atendimento a pessoas com câncer, pacientes submetidos à quimioterapia e pessoas com doenças hematológicas.

Os dados nacionais mostram a importância de manter a participação de doadores. Segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3,26 milhões de coletas de sangue em 2025, o equivalente a 15,29 doações por mil habitantes. O índice foi o maior desde o período da pandemia de Covid-19 e indica uma recuperação gradual das doações após a queda observada em 2020.

Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto, inclusive em formato digital. Adolescentes a partir dos 16 anos também podem se candidatar, desde que tenham autorização do responsável legal e atendam às demais exigências.

A idade, o histórico de saúde, o uso de medicamentos e a realização de procedimentos recentes podem influenciar a aptidão para a doação. Por isso, a avaliação individual feita pela equipe do hemocentro é indispensável, mesmo quando o candidato atende aos requisitos gerais.

Para os moradores de Brumadinho que desejam contribuir, uma das opções próximas é a unidade da Fundação Hemominas em Betim. Antes de se deslocar, é recomendado consultar os canais oficiais para verificar os horários, as orientações e a necessidade de agendamento.

A unidade fica na Rua Salvador Gonçalves Diniz, 191, no bairro Jardim Brasília, em Betim. As informações sobre atendimento e agendamento estão disponíveis no site oficial da Hemominas.

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