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Mistura de etanol na gasolina sobe para 32%; entenda o que muda para os veículos

  • Foto do escritor: Talles Costa
    Talles Costa
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura
Foto - Engin Akyurt
Foto - Engin Akyurt

Os motoristas de Brumadinho e de todo o país passarão a abastecer veículos com uma nova composição de gasolina nos próximos meses. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passará de 30% para 32%. A medida, válida inicialmente por 180 dias, faz parte da estratégia do governo federal para reduzir a dependência da importação de combustíveis fósseis, ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional e, segundo especialistas do setor, pode provocar uma pequena redução no preço da gasolina nas bombas.

A decisão foi aprovada nesta terça-feira (14) pelo CNPE, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia. Com a mudança, a gasolina comercializada nos postos brasileiros passará a conter uma proporção maior de etanol produzido no país, fortalecendo a cadeia nacional de biocombustíveis e diminuindo a necessidade de aquisição de gasolina do mercado internacional.

De acordo com o governo federal, a ampliação da mistura integra a política de incentivo aos combustíveis renováveis e busca tornar o Brasil menos dependente das oscilações do mercado internacional de petróleo. A expectativa do Ministério de Minas e Energia é reduzir em cerca de 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina, com potencial para que o país alcance a autossuficiência no abastecimento do combustível.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a medida reforça a soberania energética brasileira e amplia o uso de fontes renováveis na matriz nacional. Segundo ele, a decisão foi baseada em pesquisas, inovação e estudos técnicos, aproveitando o potencial brasileiro na produção de biocombustíveis.

O setor sucroenergético também recebeu a decisão de forma positiva. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia estima que o novo percentual exigirá aproximadamente um bilhão de litros adicionais de etanol anidro por ano. Ainda segundo a entidade, a produção nacional possui capacidade para atender essa demanda, impulsionada pela expansão das usinas de cana-de-açúcar e pela ampliação da produção de etanol de milho.

Para os consumidores, a expectativa é de um impacto discreto no preço final da gasolina. Conforme avaliação do presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (SIAMIG Bioenergia), Mário Campos, o etanol possui menor carga tributária e custo inferior ao da gasolina pura, o que tende a reduzir o valor do combustível nas bombas. No entanto, como a alteração representa apenas dois pontos percentuais na mistura, a expectativa é de uma queda pequena, medida em centavos por litro.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também manifestou apoio à mudança, destacando que o aumento da participação dos combustíveis renováveis fortalece a matriz energética brasileira, amplia a segurança do setor e incentiva investimentos em uma cadeia produtiva considerada estratégica para Minas Gerais e para o país.

Em relação ao funcionamento dos veículos, o Conselho Nacional de Política Energética informou que os testes realizados não identificaram prejuízos ao desempenho dos automóveis. Segundo o órgão, foram avaliados fatores como consumo, dirigibilidade, partida a frio, emissões de poluentes e funcionamento dos motores, inclusive em veículos que não são flex. Os resultados apontaram desempenho equivalente ao observado nas misturas anteriores.

Apesar disso, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) defendeu que novos estudos sejam concluídos antes da adoção definitiva da mistura E32. A entidade afirma apoiar o uso de biocombustíveis, mas considera importante ampliar as avaliações para assegurar a compatibilidade com toda a frota em circulação e garantir a proteção dos consumidores.

A mudança representa mais um passo da chamada Lei do Combustível do Futuro. Em 2025, o percentual obrigatório de etanol já havia passado de 27,5% para 30%, e o governo federal estuda elevar futuramente essa participação para até 35%.

Para os moradores de Brumadinho, que dependem diariamente do transporte individual para deslocamentos dentro do município e para cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a alteração poderá ser percebida principalmente no momento do abastecimento. Embora o impacto financeiro esperado seja pequeno, a medida acompanha uma política nacional voltada ao fortalecimento dos combustíveis renováveis e à redução da dependência de importações.

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