INDEPENDENTE recebe denúncias de ameaças relacionadas a serviço particular de ronda em Brumadinho


O INDEPENDENTE recebeu relatos de moradores de Brumadinho que afirmam ter sido abordados para contratar um serviço particular de ronda noturna e, posteriormente, sofreram ameaças após recusarem o pagamento. Segundo as denúncias encaminhadas à redação, motociclistas estariam circulando por diferentes bairros do município se apresentando como integrantes de um serviço de “apoio comunitário”, que oferece rondas durante a noite e serviços de auxílio aos moradores, como pequenas compras e acompanhamento em deslocamentos. Os valores cobrados, conforme relatos recebidos pelo portal, não seriam fixos e poderiam variar entre moradores da mesma região.
Uma das denúncias recebidas pelo INDEPENDENTE envolve um casal que preferiu não ter a identidade divulgada por questões de segurança. De acordo com o relato, o marido recebeu uma ligação depois de não aceitar contribuir com o serviço. Durante a conversa, segundo a denunciante, os responsáveis pela chamada teriam afirmado que invadiriam o estabelecimento comercial da família e levariam objetos de valor caso o dinheiro não fosse entregue.
Ainda conforme o relato, durante a ligação o homem teria sido informado de que uma suposta denúncia havia sido feita e que uma pessoa ligada ao grupo estaria presa, sendo necessário arrecadar dinheiro. O comerciante respondeu que não poderia contribuir e, a partir daí, teria passado a receber ameaças.
Após a ligação, o morador procurou a Polícia Militar pelo telefone 190. Segundo a esposa, durante o atendimento foi informado de que outras comunicações relacionadas a uma situação semelhante estariam sendo recebidas. A orientação teria sido para que o comerciante também procurasse a delegacia de Brumadinho para formalizar a ocorrência.
Até o momento do relato encaminhado ao portal, o contato com a Polícia Militar havia ocorrido por telefone. A família afirma estar preocupada com a própria segurança, especialmente porque há uma criança na residência.

A moradora também afirmou ter conhecimento de pelo menos outra pessoa que teria recebido uma ligação semelhante. Essa segunda ocorrência, no entanto, não foi apresentada diretamente ao INDEPENDENTE e, portanto, não foi possível confirmar de forma independente o relato.
Outro ponto mencionado nas denúncias é a existência de placas amarelas colocadas em imóveis de moradores que aderem ao serviço. A denunciante, porém, afirmou não saber identificar qual empresa ou cooperativa seria responsável pelas abordagens.

O INDEPENDENTE também recebeu informações de que motociclistas estariam oferecendo o serviço em diferentes pontos de Brumadinho. Segundo os relatos, eles afirmam realizar rondas durante a noite e auxiliar na proteção de residências e patrimônios. Também seriam oferecidos serviços complementares, como compras emergenciais de alimentos ou medicamentos em farmácias e auxílio no deslocamento de moradores.
Uma das informações que chamou a atenção da redação diz respeito ao valor cobrado. Conforme relato de um dos moradores, a contribuição não seguiria necessariamente um preço único: pessoas de um mesmo bairro teriam informado valores diferentes, com mensalidades que poderiam chegar a R$ 100 para alguns moradores e R$ 30 para outros.
O material entregue à redação inclui ainda uma carta apresentada aos moradores como uma espécie de contrato. No documento, a Cooperativa de Rondas Noturnos Ltda. – COOP RONDA informa que estaria organizando serviços de “Apoio Comunitário” em determinada rua ou avenida, das 22h às 5h, de segunda-feira a sábado.
O texto afirma que o objetivo seria prestar apoio a residências, estabelecimentos comerciais, indústrias e condomínios, entre outros imóveis. Também menciona a realização de pequenas compras de urgência no comércio local durante a noite e a madrugada, além do acompanhamento de moradores na chegada ou saída de suas residências a partir de pontos de ônibus, exclusivamente para aqueles que contribuíssem com o serviço.
A carta informa ainda que eventuais anormalidades verificadas durante as rondas seriam comunicadas à Polícia Militar. O documento orienta os interessados a procurar a sede da cooperativa para confirmar a identidade do profissional que estiver oferecendo o serviço.
A própria carta apresenta o telefone (31) 3492-2116 e o endereço eletrônico da cooperativa como canais para essa confirmação. O documento também informa que o serviço seria prestado “sem vínculo empregatício ou acidentes pessoais”.
É importante destacar que a existência desse documento e a identificação da cooperativa nele mencionada não permitem afirmar, por si só, que a empresa seja responsável pelas ameaças relatadas pelos moradores. A redação não recebeu, até a conclusão desta matéria, elementos que comprovem uma ligação direta entre os responsáveis pelo serviço descrito na carta e as pessoas que teriam feito as ligações ameaçadoras.
O novo relato também ocorre após um alerta divulgado pela Prefeitura de Brumadinho em 24 de agosto sobre uma cooperativa que estaria oferecendo serviço de rondas e proteção nos bairros mediante cobrança de R$ 50. Na ocasião, segundo as informações encaminhadas ao portal, a administração municipal classificou a oferta como golpe, orientou os moradores a não contratarem o serviço e informou que a Polícia Civil havia sido acionada para investigar.
A Prefeitura não teria divulgado, naquele momento, o nome da cooperativa, os bairros onde as abordagens estariam acontecendo ou a quantidade de moradores procurados. Por isso, também é necessário que as autoridades esclareçam se os relatos atuais estão relacionados ao mesmo grupo mencionado no alerta municipal.
O caso reforça a necessidade de atenção dos moradores diante de abordagens envolvendo cobranças, especialmente quando acompanhadas de pressão ou ameaça. A simples oferta de um serviço particular de apoio comunitário não comprova a prática de crime, mas ameaças, intimidações ou exigências de pagamento mediante violência devem ser comunicadas às autoridades competentes.
Moradores que receberem mensagens, ligações ou abordagens semelhantes devem preservar números de telefone, conversas, áudios, fotografias, documentos apresentados pelos supostos prestadores e outros elementos que possam auxiliar na identificação dos envolvidos. Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Denúncias anônimas podem ser encaminhadas pelo Disque-Denúncia 181.
O INDEPENDENTE continuará acompanhando o caso e poderá atualizar esta reportagem caso a Prefeitura, a Polícia Militar, a Polícia Civil ou a empresa mencionada nos documentos encaminhados à redação apresentem novos esclarecimentos. A reportagem também deixa espaço para manifestação dos responsáveis pelo serviço sobre os relatos apresentados pelos moradores.














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