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Chuva molha santinhos no chão e dificulta limpeza dos locais de votação em Brumadinho

Foto do escritor: Talles Costa
Talles Costa
há 12 minutos
2 min de leitura
Foto: TVOC
Foto: TVOC

Quem passou por alguns pontos de votação de Brumadinho neste domingo (4) encontrou uma cena que se repete a cada eleição: ruas e calçadas tomadas por santinhos e outros materiais de campanha espalhados próximos aos locais onde os eleitores foram votar. Com a chuva registrada ao longo do dia, o problema ganhou outra dimensão. Os papéis ficaram molhados, espalhados pelo chão e misturados à água, dificultando a limpeza e contribuindo para o acúmulo de resíduos em determinados pontos.

A prática não é novidade. A cada eleição, candidatos e apoiadores voltam a utilizar as proximidades dos locais de votação para distribuir ou espalhar materiais de campanha. O resultado, porém, fica para depois que as urnas são fechadas: uma grande quantidade de papel nas ruas, calçadas e áreas próximas às seções eleitorais, justamente em um momento em que as condições climáticas podem tornar a retirada ainda mais difícil.

Em Brumadinho, a situação chamou atenção neste domingo. Além do impacto visual causado pela quantidade de material descartado nas vias públicas, a chuva transformou parte dos santinhos em resíduos encharcados, aumentando a dificuldade para a remoção. Em alguns pontos, os papéis também acabaram sendo carregados pela água, contribuindo para o acúmulo de sujeira e podendo dificultar o escoamento em locais onde já existe concentração de resíduos.

A cena levanta novamente uma discussão que aparece praticamente a cada eleição: até quando os espaços públicos próximos aos locais de votação serão utilizados para o descarte de material eleitoral?

O problema não está apenas na quantidade de papel deixada nas ruas. Existe também o trabalho necessário para recolher, separar e retirar todo esse material depois da votação. Em dias chuvosos, como ocorreu neste domingo, a tarefa se torna ainda mais complicada, já que os santinhos podem se desmanchar, aderir ao chão e ser levados pela água para bueiros, sarjetas e outros pontos de escoamento.

A situação também contrasta com o discurso de cuidado com a cidade que costuma aparecer durante as próprias campanhas eleitorais. Candidatos falam em melhorar serviços públicos, cuidar das ruas e construir uma cidade melhor, mas, ao final da votação, o eleitor encontra justamente os espaços públicos tomados pelo material produzido pelas próprias campanhas.

Ano após ano, eleição após eleição, a cena se repete. Mudam os candidatos, mudam os números e mudam os cargos em disputa, mas os santinhos continuam aparecendo nas ruas no dia da votação.

A distribuição de material de campanha possui regras estabelecidas pela legislação eleitoral, e a presença de propaganda próxima aos locais de votação precisa respeitar as normas da Justiça Eleitoral. Independentemente disso, a utilização das ruas como destino para grandes quantidades de papel deixa uma questão prática para o município e para os próprios eleitores: quem fica responsável pela sujeira depois que a eleição termina?

Neste domingo, a resposta estava nas próprias ruas de Brumadinho. Enquanto eleitores deixavam os locais de votação, funcionários e equipes responsáveis pela limpeza precisavam lidar com o resultado de uma prática que, apesar de recorrente, continua gerando resíduos e trabalho adicional.

A eleição termina com a apuração dos votos. Para a cidade, porém, o trabalho de limpar as ruas começa depois. E, mais uma vez, Brumadinho termina o dia de votação tendo que recolher das ruas aquilo que as campanhas deixaram para trás.


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