'Cascudinho' completa 10 anos: a chama viva do Canto do Rio e a celebração da amizade
- Talles Costa

- há 4 horas
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Em uma cidade que respira a força da reconstrução e a memória de um passado recente, o esporte amador de Brumadinho encontra no “Cascudinho” um símbolo de resistência, amizade e olhar para o próximo. O que começou como uma conversa despretensiosa entre dois amigos em 2016, Filipe Ribeiro e Everton Marques, se consolidou como uma das irmandades esportivas mais queridas da região. Em 2026, o grupo celebra uma década de existência, não apenas como o segundo quadro do tradicional Canto do Rio Futebol Clube, mas como um verdadeiro agente de transformação social no bairro Santo Antônio e arredores.
A fundação do time, que passou a adotar oficialmente o dia 15 de março como data simbólica de aniversário, teve um início caseiro. A ideia era simples: reunir amigos próximos para um futebol sem compromisso, muito mais pela resenha e pela confraternização do que pela competitividade. “A gente não cravou uma data porque não sabia que ia dar tão certo”, relembra Filipe, um dos idealizadores. O que era para ser um encontro informal de futebol acabou ganhando forma e exigindo uma "refinada" no grupo. Com o tempo, os fundadores perceberam que, para manter a harmonia, era necessário ir além do círculo íntimo, abrindo as portas para pessoas indicadas que compartilhassem um valor fundamental: a paz dentro e fora de campo. O perfil agressivo ou briguento não teria espaço, e a premissa se mantém até hoje, garantindo que as quartas-feiras à noite e sábados sejam sinônimo de lazer e respeito.
Atualmente composto por 45 integrantes fixos, o “Cascudinho” carrega as cores e a tradição do Canto do Rio Futebol Clube para outros gramados. A parceria com a agremiação principal é bastante afetuosa. Desde a época da fundação, o então presidente Boca deu total liberdade para que o grupo ocupasse o campo. Essa liberdade foi herdada pelo atual mandatário, Patolino, que não economiza no afeto ao definir o time de amigos como “o coração do Canto do Rio”, sobretudo por ser formado por torcedores, diretores e apoiadores do clube.
A relação se fortalece mesmo diante das adversidades. Quando as enchentes destruíram o gramado em duas ocasiões - nesse período, no caso - o grupo não parou. Migrando para campos vizinhos, a missão era clara: manter viva a amizade e levar o nome do Canto do Rio por toda a região, driblando as intempéries da natureza com a mesma raça com que entram em campo.

Mas a história do “Cascudinho” também se entrelaça com a dor mais profunda que atingiu Brumadinho em 2019. O time foi duramente atingido pela tragédia-crime do rompimento da barragem da Vale, perdendo quatro de seus atletas e amigos: Tom, Bily (Edgar), Marlon e Adriano. A ausência deles é uma ferida que o tempo não cicatriza, mas que o grupo transformou em memória viva. Por onde passam, seja para um jogo beneficente ou um simples amistoso, os jogadores carregam a lembrança dos companheiros, reforçando o elo que transforma o time em uma família.
O trabalho desenvolvido ao longo desses dez anos não passou despercebido pelas instituições da cidade. Em reconhecimento à trajetória de união e responsabilidade social, o “Cascudinho” será homenageado na Câmara Municipal de Brumadinho com uma Moção de Aplausos. A iniciativa partiu dos vereadores José Metódio Dornas, o Juca Dornas, e Márcio Roberto Lopes de Sousa, o Guru, que enxergaram no time um exemplo de como o esporte pode ser uma ferramenta poderosa de fortalecimento dos laços comunitários.
Mais do que um time B, o “Cascudinho” se estabeleceu como um pilar da convivência, provando que, mesmo em uma década marcada por perdas e desafios, a solidariedade e a amizade são os melhores caminhos para celebrar a vida.
Confira algumas fotos da confraternização de 10 anos do Cascudinho, realizada no dia 14 de março, no Espaço Quintal:









































































































































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