Barragem B-I, monitoramento e Rio Paraopeba estão entre os alertas de auditoria em Brumadinho


Relatórios elaborados pela AECOM, empresa responsável pela auditoria socioambiental das ações da Vale relacionadas ao Acordo Judicial de Reparação, apontam vulnerabilidades em estruturas remanescentes e de contenção do complexo minerário de Brumadinho e cobram medidas para corrigir os problemas identificados. Entre os principais pontos estão a redução do fator de segurança em setores da barragem B-I, falhas no monitoramento geodésico, limitações das estruturas instaladas para conter rejeitos em uma eventual ruptura e o escoamento de água com rejeitos em direção ao Rio Paraopeba. As informações foram divulgadas pelo Instituto Guaicuy, com base nos documentos produzidos pela auditoria.
Um dos pontos de atenção apresentados nos relatórios está no anfiteatro da barragem B-I. Segundo os documentos, houve redução do fator de segurança da estrutura e existem setores onde os rejeitos apresentam suscetibilidade à liquefação. Esse fenômeno ocorre quando determinados materiais saturados perdem resistência e passam a apresentar comportamento semelhante ao de um líquido, condição que exige acompanhamento técnico permanente.
A auditoria também identificou problemas no sistema de monitoramento geodésico utilizado para acompanhar possíveis movimentações e deformações da estrutura e do solo. De acordo com os relatórios, mais da metade dos equipamentos estava sem leitura em razão de obstruções provocadas pelo crescimento da vegetação.
Diante da situação, a AECOM cobrou o restabelecimento das leituras do sistema de monitoramento e a realização de novas análises de estabilidade. A auditoria também apontou a necessidade de esclarecimentos sobre inconsistências identificadas entre as estruturas existentes e os projetos.
Outro ponto levantado está relacionado ao cronograma de retirada dos rejeitos remanescentes. Uma questão ligada ao licenciamento ambiental impediu que a remoção tivesse início em 2026, como estava previsto originalmente. Segundo os documentos citados pelo Instituto Guaicuy, ainda não havia um cronograma consolidado e atualizado que incorporasse os efeitos provocados pelo atraso.
A capacidade das estruturas existentes para responder a uma eventual ruptura da B-I também foi analisada pela auditoria. Conforme os relatórios, caso ocorresse uma ruptura, o sistema atualmente instalado, formado por malhas dinâmicas e pela barreira hidráulica BH-2, não teria capacidade suficiente para conter todo o volume.
A constatação, conforme os próprios apontamentos apresentados, não significa que um novo rompimento esteja previsto ou seja considerado iminente. Os relatórios identificam vulnerabilidades nas estruturas e apresentam recomendações e exigências para que elas sejam avaliadas e corrigidas.
Os documentos também apontam problemas relacionados aos canais de desvio hidráulico. Foram identificadas altas velocidades e profundidades de escoamento, acima das condições recomendadas para o material utilizado, com possibilidade de transbordamento.
Diante desse cenário, a AECOM solicitou correções nos canais de desvio e avaliações de estabilidade em diferentes etapas do processo de descomissionamento. A auditoria também cobrou a elaboração de um plano específico de preparação para o período chuvoso de 2026/2027, considerando as condições apontadas nas estruturas.
Outro alerta envolve a Estação de Tratamento de Águas Fluviais, conhecida como ETAF1, instalada para tratar parte das águas do Ribeirão Ferro-Carvão antes do descarte no meio ambiente.
Durante uma inspeção mensal, a auditoria identificou uma situação envolvendo a estrutura denominada Cortina de Estacas Prancha 1. Segundo os relatórios, após uma redução na vazão de bombeamento da ETAF1, a estrutura passou a permitir o escoamento de água com rejeitos em direção ao Rio Paraopeba.
A AECOM cobrou da Vale uma solução considerada urgente para o problema, com o objetivo de reduzir o vazamento e impedir que resíduos sólidos sejam transportados para o Rio Paraopeba.
A questão tem impacto direto sobre uma área que permanece relacionada às consequências do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, ocorrido em 25 de janeiro de 2019. Desde a tragédia, estruturas e áreas atingidas permanecem sob acompanhamento e passam por diferentes etapas de reparação e descomissionamento.
Os novos apontamentos integram o acompanhamento técnico das ações sob responsabilidade da Vale no processo de reparação. Entre as medidas cobradas pela auditoria estão a retomada integral do monitoramento das estruturas, novas avaliações de estabilidade, correções nos canais de desvio, atualização do planejamento para retirada dos rejeitos e providências relacionadas ao escoamento de água com rejeitos para o Paraopeba.
A proximidade do período chuvoso de 2026/2027 também aparece entre as preocupações registradas nos relatórios, que apontam a necessidade de medidas específicas de preparação e acompanhamento das estruturas.














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