Adolescente denuncia violência sexual em Brumadinho; caso envolve invasões a residências e disparos em condomínio


Uma adolescente de 15 anos denunciou ter sofrido violência sexual atribuída ao ex-namorado, de 18 anos, em Brumadinho, em uma ocorrência que também envolve a entrada não autorizada do jovem em residências de um condomínio, ferimentos nele próprio e disparos de arma de fogo efetuados por um morador. Segundo o registro policial, a denúncia de violência sexual se refere a fatos que teriam ocorrido após o Brumadinho Gourmet, enquanto os episódios posteriores foram registrados na noite de 13 de outubro. O jovem recebeu atendimento médico e foi encaminhado ao Hospital Regional de Betim. As circunstâncias dos acontecimentos, incluindo a origem dos ferimentos, deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Segundo o relato prestado pela adolescente à polícia, ela manteve um relacionamento com o jovem por aproximadamente cinco meses. Após o término, ele teria demonstrado ciúmes, desconfiado de que ela estivesse se relacionando com outra pessoa e afirmado que continuaria esperando por ela para que pudessem ficar juntos no futuro.
No dia dos fatos, conforme o depoimento registrado, a adolescente estava com o ex-namorado e amigos na praça do distrito de Casa Branca. Na ocasião, o rapaz teria oferecido bebida alcoólica a ela. A adolescente relatou que não costumava consumir esse tipo de bebida e que, após ingerir o conteúdo, sentiu tontura rapidamente e teve dificuldade para responder pelos próprios atos.
Após o encerramento do Brumadinho Gourmet, os pais da adolescente teriam deixado o jovem em sua residência. Posteriormente, segundo a denúncia, ele continuou enviando mensagens pelo WhatsApp, insistindo em conversar e afirmando que iria até a casa dela. A adolescente disse ter pedido que o ex-namorado aceitasse o fim do relacionamento.
Ainda conforme o relato, o jovem foi até a residência sem autorização e se aproximou da janela do quarto da adolescente. Ele teria pedido que ela abrisse a janela, alegando que sua mãe estava se aproximando e não poderia vê-lo no local. Em seguida, segundo a denúncia, ele entrou pela janela, tapou a boca da adolescente e praticou ato sexual mediante violência e sem o consentimento dela.
O relato da adolescente integra o registro policial da ocorrência. A apuração deverá esclarecer os fatos e as circunstâncias em que teriam ocorrido.
Ocorrência posterior mobilizou equipes de segurança e socorro
Outro episódio descrito no registro policial ocorreu na noite de 13 de outubro, na Aldeia da Cachoeira das Pedras. Segundo as informações reunidas pelos policiais, o jovem teria apresentado comportamento alterado e entrado sem autorização em diferentes residências do condomínio.
Em uma das casas, ele teria pegado uma faca na cozinha e provocado ferimentos no próprio corpo, um na região abdominal e outro no pescoço. Posteriormente, teria entrado pela janela de outro imóvel, onde foi encontrado por um morador segurando uma faca.
O morador relatou que temeu pela segurança de sua família e efetuou disparos com um revólver calibre .22 em direção à área externa da residência. A arma foi apreendida pela polícia porque, apesar de estar registrada em nome do morador, o certificado de registro estava com o prazo de validade expirado.
O registro policial não confirmou relação entre os ferimentos do jovem e os disparos efetuados pelo morador. A origem das lesões e a sequência dos acontecimentos permanecem entre os pontos que precisam ser esclarecidos pelas autoridades.
Administração do condomínio divulgou esclarecimento
Um morador encaminhou ao INDEPENDENTE uma nota divulgada pela administração da Aldeia da Cachoeira das Pedras sobre a ocorrência. No comunicado, a administração informou que recebeu, por volta das 23h40 de 13 de outubro, ligações de moradores relatando uma situação de risco envolvendo um jovem ferido que teria entrado em uma área de mata próxima.
Na sequência, segundo a nota, outros moradores comunicaram que uma pessoa havia entrado em residências de terceiros e, em uma delas, se apoderado de uma faca, aparentando estar em estado de confusão.
A portaria orientou os moradores a acionarem imediatamente a Polícia Militar e informou ter comunicado o supervisor de segurança e a OCA, solicitando a presença da equipe e de uma ambulância.
De acordo com o esclarecimento, a Polícia Militar chegou ao local por volta das 0h38. A ambulância do posto de saúde local também compareceu e permaneceu até aproximadamente 2h, quando deixou o local porque a ambulância da OCA já prestava atendimento. A administração acrescentou que três viaturas policiais estiveram nas imediações e que o Corpo de Bombeiros chegou por volta das 4h45.
Jovem foi encaminhado ao Hospital Regional de Betim
Inicialmente, os policiais não haviam localizado o jovem nem conseguido confirmar seu estado de saúde. Posteriormente, receberam informações de que ele havia sido encontrado pela equipe de segurança do condomínio e recebido os primeiros socorros.
Conforme os dados repassados à polícia, ele foi levado ao posto de saúde de Casa Branca, transferido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Brumadinho e, em seguida, encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Regional de Betim.
Em comunicado divulgado pela família, o jovem foi descrito como internado em coma induzido no Centro de Terapia Intensiva (CTI), com ferimentos pelo corpo, lesão no pescoço e perfuração no pulmão, respirando com auxílio de aparelhos. Os familiares afirmaram que ele já não corria risco de vida. O estado de saúde não foi confirmado de forma independente pela reportagem.
Família apresenta outra versão sobre os acontecimentos
Em comunicado público, familiares do jovem apresentaram uma versão diferente sobre parte dos acontecimentos. Segundo eles, o rapaz e outras pessoas teriam sido obrigados a comparecer a um terreiro, onde o jovem teria sido forçado a ingerir determinado conteúdo.
Ainda conforme a versão da família, após mais de uma hora, uma pessoa teria ordenado que todos corressem sob ameaça de morte. Os parentes afirmaram que saíram em busca de socorro e que o jovem correu para procurar proteção.
Essa versão ainda precisa ser confrontada com os demais relatos e elementos da investigação. Até o momento, as informações disponíveis não permitem estabelecer uma relação conclusiva entre o episódio mencionado pela família, os ferimentos do jovem e os disparos relatados pelo morador do condomínio.
O caso reúne relatos distintos e episódios que precisam ser analisados separadamente pelas autoridades. A denúncia de violência sexual feita pela adolescente, as circunstâncias das entradas nas residências, os ferimentos do jovem e os disparos são pontos que dependem de apuração para que a sequência dos fatos seja esclarecida.
O INDEPENDENTE não divulga a identidade da adolescente, em respeito à sua privacidade e à proteção legal de vítimas menores de idade em casos de violência sexual.












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