Silêncio rompido: relato expõe violência sexual na infância e alerta para a importância da denúncia
- Talles Costa

- 18 de mai. de 2025
- 3 min de leitura

Entre 1993 e 1994, um menino de 4 a 5 anos era repetidamente abusado sexualmente por um vizinho adolescente de 16 anos. Hoje, aos 28 anos, ele resolveu compartilhar sua história ao Portal Independente, visando conscientizar a sociedade sobre a realidade do abuso infantil, que frequentemente ocorre dentro do círculo de convivência da família.
O abusador, filho de vizinhos, conquistou a confiança da criança de forma ainda inexplicável para o autor do relato. Os ataques ocorriam no quarto do adolescente, com a porta aberta, enquanto a avó do agressor estava em casa, alheia ao que acontecia. O menino era coagido a manter silêncio sob ameaças de que "algo grave" poderia acontecer a seus pais se ele contasse a alguém.
O sobrevivente descreve cenas de violência sexual, incluindo atos de masturbação e sexo oral forçado, seguidos por repetidas ordens de segredo. O medo, a vergonha e a culpa o impediram de revelar o abuso por décadas.
Durante a infância e adolescência, o trauma se manifestou em comportamentos como evitar trocar de roupa na frente de outros, usar banheiros coletivos ou participar de aulas de educação física. "Eu preferia fazer relatórios a ter que me expor no vestiário", conta.
Aos 28 anos, durante um tratamento para burnout, ele finalmente revelou o abuso ao seu psicólogo. "Foi como tirar um peso das costas", diz. No final de 2024, decidiu contar à mãe, que, como esperado, sentiu culpa — sentimento que ele imediatamente dissipou: "A culpa não foi dela, nem minha, mas do abusador".
O sobrevivente optou por não denunciar judicialmente o agressor, mas hoje fala abertamente sobre sua experiência para ajudar outras vítimas. "Ninguém deve carregar esse segredo sozinho. Precisamos mostrar que mais de 80% dos abusos são cometidos por pessoas próximas à família", alerta.
Segundo organizações de proteção à infância, a maioria dos casos de abuso sexual infantil ocorre em ambientes domésticos, muitas vezes envolvendo parentes ou conhecidos. A falta de denúncias, muitas vezes devido ao medo ou à vergonha, perpetua o ciclo de violência.
A história deste sobrevivente é um chamado à ação: romper o silêncio, apoiar as vítimas e educar a sociedade são passos essenciais para prevenir novos casos. "Se minha história evitar que outra criança passe pelo que eu passei, já valeu a pena", finaliza.
Matéria escrita com base em relato real. Nomes e detalhes foram preservados para proteger a identidade do jovem.
18 de maio: Dia de luta pela proteção da infância
Neste domingo, 18 de maio, marca-se o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, uma data instituída pela Lei Federal 9.970/2000 em memória de Araceli Crespo, menina de 8 anos brutalmente violentada e assassinada em 1973, no Espírito Santo. Seu caso, que permanece impune, tornou-se símbolo da luta por justiça e proteção aos direitos das vítimas.
A data serve como alerta para uma realidade alarmante: segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a cada hora, 4 crianças sofrem abuso sexual no Brasil, sendo que 80% dos agressores são conhecidos da família, como parentes, vizinhos ou responsáveis. A campanha anual, com o lema "Faça Bonito – Proteja Nossas Crianças", busca estimular denúncias e romper a cultura do silêncio que ainda envolve o tema.
Como identificar sinais de abuso?
Mudanças repentinas de comportamento, medo excessivo de pessoas específicas, regressão a hábitos infantis (como choro constante ou enurese noturna) e conhecimento sexual incompatível com a idade são alguns dos indícios. Escolas e serviços de saúde desempenham papel crucial na detecção precoce.Neste 18 de maio, a mensagem é clara: proteger crianças e adolescentes é responsabilidade de todos. Quebrar o silêncio pode salvar vidas.
Denuncie:
Disque Denúncia Nacional: 100
Conselho Municipal da Criança e do Adolescente - CMDCA: 31 3571-3001
PMMG: 190


















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